6 de set. de 2006

Meu amigo gato

Certa noite tive um sonho engraçado, aliás, sou mestra para ter sonhos inusitados. Mas, nessa noite específica, que acredito ter sido na semana passada, talvez na terça-feira, sonhei que estava conversando com um gato. Um gato: um quadrúpede, claro, porque quanto aos bípedes, não me interessam, por ora.
Bem, mas voltando ao sonho, eu trocava idéias com um gato, um gato enorme, devia bater na minha cintura, cinza, de olhos azuis e pêlos longos, era realmente bonito, e me dava conselhos de como proceder nessa ou naquela circunstância. Achei tão fantástico, mesmo no sonho, me pegava duvidando daquela situação. Vivi um momento Alice, onde o mundo das maravilhas se abriu instantaneamente para mim, e deu um largo sorriso. Ah, o gato não sorria, só lhe faltava essa característica para se tornar magnífico, mas tampouco tinha o semblante triste. Quando acordei, fiquei por alguns minutos fazendo um esforço para me recordar dos detalhes, do que conversávamos, de onde estávamos, de todas as circunstâncias, enfim, consegui apenas me lembrar de alguns diálogos e de um cenário. Lembro-me que estávamos os dois dentro de uma casa, que aparentemente era aconchegante, recordo-me da sensação de calor, acolhimento, acredito que era minha casa, não posso garantir. O curioso é que aquele gato não me deixava, de modo algum, embaraçada ou constrangida. Eu agia de forma tão natural, como se fosse a coisa mais comum do mundo. Nós estávamos muito próximos um do outro e ouso até dizer que éramos como grandes amigos, quase cúmplices. Não me recordo exatamente do diálogo dessa cena, mas falávamos sobre cinema. Foi uma conversa agradável e o gato me deu bons conselhos, como, por exemplo, não pegar muitos filmes na locadora. Na verdade, sempre soube que não era bom ter esse procedimento em relação aos filmes, mas minha compulsão não me deixa agir de outra forma. O gato me disse que isso não é bom, estou canalizando minhas frustrações para aqueles filmes, dessa forma eles se tornariam um fardo para mim, de acordo com o meu amigo gato. Pois, segundo ele, acabaria, por causa do grande número de dvd’s, ficando presa a eles, logo, o prazer de curtir o filme, o deleite que se tem em apreciar uma boa história, seria anulado pela obrigação de dar conta do recado, vê-los-ia com pressa e com certo enfado. Tive que concordar com meu amigo, a essa altura da conversa, sinto que ele é um amigo e posso tratá-lo dessa maneira. Fiquei curiosa com a questão das frustrações levantada por ele, não entendi direito, e ele me revelou do alto de sua sabedoria felina, que as compulsões muitas vezes são uma forma de suprir algumas coisas que nos faltam, ou seja, certas frustrações. Achei que meu amigo tinha razão, e comecei a me perguntar se acaso ele seria um desses estudiosos de mente humana, coisa que me deixou mais intrigada, pelo fato dele ser um felino e se interessar por uma espécie diversa da sua. Tenho que admitir, que essa análise sobre as frustrações foi simplória, porém, não menos eficaz, no meu caso específico. Nós, então, conversamos por longas horas, nos divertimos um com o outro e o gato era uma espécie de tutor para mim. Achei interessante esse sonho fantástico e hoje me pego querendo reencontrar com meu bom amigo. Esse sim, um bom amigo para as mulheres – prudente, interessado, sabe silenciar na hora certa, demonstrando interesse na fala alheia, sabe se retirar no momento preciso, denotando certa individualidade, não em demasia, pois assim se tornaria extenuante, mas na dose certa.
Ultimamente, por causa das efemérides recentes, tenho pensado em me comprometer com um animal de estimação, e fico muito duvidosa em relação à espécie. Agora concluo, diante desse meu bom amigo, que um gato não seria um estorvo, talvez até um bom companheiro. Talvez ele me levasse a países distantes, a lugares extasiantes. Guiada por sua perspicaz e inebriante narravita, acredito que poderia me tornar uma Alice, ao menos momentaneamente. Então, talvez eu cantasse- para finalizar o relato com certo humor- na casa do Chapeleiro: “Um bom desaniversário. Para mim? Sim, sim! Então assopre as velas, mas não perto do nariz. Um bom desaniversário feliz!”

Um comentário:

Babs disse...

Gostei da estorinha, e mais ainda do gato. Também tenho vontade de ter um, e se você for realmente ter um gato recomendo ou um persa ou siamês.
Este seu gato-imaginativo/voz-interior é muito sensato, deveria ouvi-lo...
Bjos..