
Ainda ouço o barulho dos aplausos, mais uma sessão acabou. Estamos do lado de fora, e sinto o odor inequívoco da cachaça envelhecida no Jatobá. Cheiro acre se insinuando naquele ambiente audiovisual. Provavelmente, resultado da tarde improvável de ontem. Eu estava de mau humor, não agüentava mais fingir que ouvia tantas verdades absolutas. Parei com você num lugarzinho acolhedor, enquanto chovia. Dois companheiros nos acompanhavam e pudemos vivenciar um momento simples, porém com um certo grau de sublimação. A cachaça foi degustada até o anoitecer, várias bocas sorveram aquele suave gole. No meio delas, a tua. A tua boca, apreciadora de bons sabores, bebia feliz e soltava frases desconexas, embora cheias de significados. O olor se espalhava pelo ar e convidava olhos curiosos... sequiosos por um novo sentido. Nós já não nos preocupávamos com quem estava certo e quem estava errado, nem sequer sabíamos disso ou tínhamos estas medidas. Nos deixamos levar, naquela tarde cinzenta, por aquele cheiro inebriante. Que não era da cachaça ou do jatobá, mas das coisas não ditas, dos desejos recônditos, das expectativas recusadas, nobres e cruéis. Os olhos nos observavam, os azuis, os castanhos e os lilases... todos eles a nos medir, a mensurar o tamanho do nosso ser através de nossos breves e às vezes, impulsivos atos. Ah... Aquela tarde já foi perto do fim, já foi o fim. Por onde achar um novo começo? Onde achar um novo começo?
Um comentário:
Garota! como é bom se surpreender, não? Veja, quantas vezes já visitou o chão? Assim, um tantim... algo beirando o fim... eis que no fim eu me deleito... e que verbo é esse... deleito... leito: onde deito... eis que o fim é algo que nos ultrapassa, as vezes trespassa. eis nos... as vezes nus, as vezes vestidos de vestes nada verdadeiras...
até breve...
ah... e ainda tem o não dito... se te dissesse que é esse o maior dos maiores, o inominável, companheiro meu de tempos, ah... se surpreenderia? pois foi por isso que me surpreendi. estamos bem próximos do fim. todos nós: dois.
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