
Lembro do sonho que tive na noite passada,
restam pequenas memórias soltas, misturadas,
vagando, se esquivando, brincando de se esconder.
De algo, me recordo...
sei que avistava uma bela mata,
digna de paisagens, dignas de filme.
Um enorme campo esverdeado,
o olor das águas, da terra e do mato se insinuava,
os pássaros cantavam do alto.
Mais adiante, uma cachoeira pequena muito límpida, solitária, perdida na mata,
como uma oferenda aos orixás.
Certos murmúrios chegavam com o vento, embora
não consiga agora distinguir
o que aqueles ecos soltos diziam...
sentia uma devoção pungente naquelas palavras,
como se alguém estivesse pedindo, uma súplica que há muito se ecoa.
Eu corria, acredito que corria, não era eu,
não este corpo, mas sei que era eu,
em outro corpo, talvez, não me lembro como era a forma física com exatidão.
Então eu corria. Não, voava.
Eu sobrevoava, meu espírito sobrevoava aquele lugar sagrado, cheio de rituais.
Num campo, divisei ao longe, um grupo de pessoas nuas, todas elas.
Estavam em círculo, dançavam e cantavam, em transe ao redor de algo, de uma chama, como um fogo sagrado.
Era lindo de se ver. Algo invisível entrava pelos poros, pairava pelo ar...
não, já não estava mais lá, regressava à cachoeira...
de dentro da pequena queda emergia um ser, um ser luminoso,
parecia mais uma energia que irradiava paz, amor, muita luz.
Eu ouvi a súplica, reconheci de onde vinha, vinha daquela luz.
E aquela luz veio até mim, hesitou por um momento, ou eu hesitei, não sei se era medo ou emoção diante de tamanhã força vital.
Ela me dizia palavras que eu não sei o que significam, nem poderia significá-las.
Palavras que fogem, pronunciadas somente uma vez.
Só ficou uma enorme sensação.
Sei que esse espírito das matas, era um índio, um ancestral de todos nós.
Daí pra frente, já não me lembro, não me lembro de mais nada.
Ainda agora, só consigo me recordar da imensa sensação de amor, que continuo a sentir.
Muito amor.
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