19 de jul. de 2007

Saltitar o fogo


A tristeza, com desilusão, se embrenha
em minha selvageria imanente.
Não sei tocar notas maiores.
Não conheço a vida através de muitas cores.
A novidade me assusta. M
Me acompanha ferina.
Difícil não depositar em ti meus equívocos:
facilmente percebidos após a meia-noite.
Não quero me enxergar associada.
Minha segregação imprópria cai bem.
Não sei entrar na melodia correta.
Não sei alcançar certos tons.
Talvez devesse me desesperar.
Meus olhos deseducados acompanham
o paladar pelo sabor agridoce
que se insinua em dias ocultos.
Minha expectativa é espectadora
expectante de tanto desejo.
Extática,
me vejo ao longe,
através de outro corpo,
sob outro alguém.
Fui deseducada a não querer assim.
Meu corpo clama na lama macia.
Quero teu ego desacreditado.
Me persegues nas sombrias paisagens
das celas do meu incons ciente.
Essa fome não passa.
Não pára.
Não se queda em canto algum.
Vem brutal,
desfalece meu ser, minha alma, meus sentidos.
Venha próximo e distante,
venha através dessa pele macia
me fazer acreditar em tudo que duvido.
Te quero ainda assim.
Te quero ainda mais.
Te quero agora mesmo.
Meu índio do asfalto,
meu sabotador de velhos temperos,
meu áspero sutil harmônico desejo.
Te quero hoje,
como não te quis ontem,
nem te quererei amanhã.
Vejo,
recôndito em teus olhos de amêndoas,
toda a benevolência romântica de outrora.
Somos desiludidos, desditos, malditos.
Não se assuste,
meu caro companheiro de horas fortuitas,
a vida segue, ainda assim.
O ácido - crescente espelho- entre nós, revela
psicodélicas situações improváveis; possíveis.
Jesus morreu.
Jesus viveu.
Romanos mataram.
Romanos criaram.
Toda uma sociedade doente.
Cancerosa.
Aos pés de um deus morto.
Cru ci fi ca do.
Quero ainda mais ar.
Que cesse essa apnéia.
Que se desnudem os hipócritas.
Que gozem os moralistas.
Que vivam os cristãos.
Venha, meu sábio Xamã, venha ver de perto.
Isso tudo se destrói, isso tudo implodirá.
Não deixe cair de seus olhinhos saborosas
e ingênuas pérolas líquidas.
Poupe-se de tal pesar.























As criaturas etéreas se aproximam.





Psiu.
Silêncio.
Fique quieto.
Vamos escutá-las.
Venha, vamos com elas
saltitar o fogo.
Escutar o silêncio.
Perscrutar as pelavras.
Enxergar a sombra.
Se perder da união.
Cultivar a solidão.
Lobo, lobo, venha, lobo.







Um comentário:

Odradek disse...

Uai fiquei curiosa...como surgiu esse?????Hahhahahhahahaha