17 de ago. de 2007

...


Uma coisa eu aprendi vivendo, ou melhor, sentindo; é que a gente está sempre em busca.
Busca de realizações profissionais, de amigos, de parcerias, companhias agradáveis, amores, diversões, viagens, lutas, engajamentos, enfim, cada qual com sua procura. Essa busca seria uma espécie de direcionamento, seria algo que nos proporcionasse sentido, razão à vida.
Se observarmos bem, ela só aumenta. Um amigo puxa outro, um trabalho chama outro, um romance sempre pede mais.
Seríamos constantemente insatisfeitos? Ou essa ininterrupta jornada é alguma medida paliativa pra aliviar o vazio existencial?
Bem, minha pretensão não é filosofar. Gosto muito de filosofia, mas sou rasa no assunto. O que penso ao escrever essas palavras é que, no fundo no fundo, não precisamos de nada em específico, e sim, de forças motivadoras maiores que nos impulsionem a ações diversas.
Não precisamos daquele emprego, precisamos de uma ocupação que preencha o que desejamos profissionalmente. A mesma coisa com a diversão, com os hedonismos, com amigos e amores. A necessidade existe, nós temos demandas enormes e maravilhosas, mas é o signo que importa.
A simbologia. A representação.
Isso é curioso e faz, conseqüentemente, se ter uma nova perspectiva das coisas. Percebo agora que o desapego é mesmo inerente ao ser humano. Só que a gente constrói pequenos vícios, pequenas manias reforçadas pelo sistema, pelo consumo, pelas mídias e infinidades de indústrias, que nos fazem crer, através do condicionamento da alma, que necessitamos da matéria, que somos possessivos e passionais. Quando na verdade, não somos. Esses mecanismos capitalistas são tão fortes que criam uma longa lista de patologias. Quer ver? Uma doença contemporânea? Existem inúmeras, mas vamos às mais cotadas: TOC ( transtorno obsessivo compulsivo), bipolaridade, depressão, estresse, ansiedade, etc etc etc.
A percepção disso pode ajudar a transmutar essa realidade de “caverna de Platão” em uma nova forma de ler e dialogar com a vida.
Confesso que não acho isso fácil. Somos doutrinados desde muito cedo. Mas existe a possibilidade se existir a vontade de mudança, Vontade de Potência. Não pretendo que isso seja uma verdade universal, não defendo verdades universais. O que zelo é pelo descomprometimento. Não em caráter pejorativo, como facilmente poderia ser interpretado, mas em face libertadora. Descomprometimento não é falta de responsabilidade, é falta de preguiça de pensar. Não se deve aceitar tudo mastigado, a digestão das informações, culturas, amores e afins é um processo, ou deveria ser, de autoconhecimento. Por isso e, dessa maneira, concluo meu raciocínio.

Nenhum comentário: