7 de nov. de 2007

Indicação de leitura: "Risíveis Amores", Milan Kundera


"O equívoco, seja ele de situação ou de sentimentos, é o que torna risíveis os amores descritos nesse livro de contos de Milan Kundera.
Há nessas histórias mal-entendidos capazes de provocar circunstâncias novas de relacionamento que podem ser reveladoras ou assustadoras: amantes se vêem de repente como estranhos, e seu amor muda de catáter; invertem-se as colocações no relacionamento amoroso, dando aos amantes uma sensação de irrealidade na qual já não distinguem mais os contornos de suas emoções, por mais que as procurem analisar.

Esses equívocos resultam de uma incapacidade fundamental que têm os personagens de Kundera não só de se comunicarem entre si, como também de se comunicarem consigo mesmos. Eles estão sempre sós num mundo - interior ou exterior - no qual os outros são meras sombras. Os objetos de seus amores são exatamente isso, objetos.
Falta a esses amantes, jovens ou velhos, idealistas ou cínicos, a identificação que transforma o amador na coisa amada: daí a sua vulnerabilidade ante situações novas criadas pelos equívocos.
Não conhecem realmente o outro e, quando o vêem sob um ângulo levemente diferente do habitual, perdem com ele o pouco contato que tinham.

Por isso esses amores são risíveis, por estarem mais próximos da farsa do que so sublime. "Ah, senhoras e senhores", exclama um dos personagens, "é triste a vida quando não se pode levar nada e ninguém a sério". Ou seja, são amores trágicos porque negam a possibilidade de comunicação autêntica entre os que se amam - o que equivale ao desaparecimento da própria razão de viver."

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