17 de dez. de 2007

Gostosuras cotidianas



Descobri a felicidade, ou ela me descobriu.
E Ela sempre esteve aqui, ao meu lado.
A alegria reverbera, a tristeza sai miúda, cabisbaixa,
na sombra do meu outro eu.
Acho que a Zilá tá de férias, por um tempo.
E agora dá espaço pra Joana, que sempre foi feliz,
meio Poliana.
A vida
me faz querer mais, viver mais, curtir mais.
Jean Genet me mostra o meu lado oculto,
o gosto pelo excremento, pelo feio, o marginalizado.
Mas hoje em dia, não Jean Genet q prevalece,
é o apolíneo e o dionisíaco, os dois numa boa trepada,
maravilhosa e farta, de tanto tesão. Que delícia!
Vejo o Dragão, seus vôos e suas terras distantes, conquistadas.
Sem ansiedade, o aguardo. Com ele tudo é calmo, tranqüilo,
por isso, bom!
Depois da tormenta, da tempestade, esse solzinho aprazível que
ilumina sua cauda, traz consigo toda a minha felicidade distante,
oculta. Hoje, revelada.
É tão bom olhar pra trás e ver os erros sem arrependimento
cristão, mas com uma boa dose de coragem, de riso.
Sem temer o ridículo- o ridículo, a traição,
a abjeção- esse humor negro que temperou, em sua maledicência
felina, todo nosso, já longe, caminhar cambaleante.
Mandar às favas o orgulho, aquele besta e soberbo.
Percebo como fui tola, boba, equivocada, e talvez
daí venha minha felicidade, de ter me permitido,
de ter me autorizado, sem auto-censura, a ser o que quiser,
inclusive um mendigo.
Sair desse senso-comum que acompanha o cotidiano,
fazer o inesperado, dar gargalhada da própria desgraça,
mas sem uma ponta de rancor, rindo com vontade.
Isso é bom. Me passa um gosto de ferrugem, num objeto
querido.
Ah, como é bom!
Minhas palavras nunca foram falsas, embora talvez assim
tenham soado algumas vezes.
Consigo espremer toda a realidade de dentro de mim
e expurgá-la em forma de canção.
A mais bela dor é aquela que permanece.
E com a qual q gente estabelece uma relação
de dependente amizade.
Amo essa tristeza distante.
Mas hoje reverencio a alegria,
a loucura da felicidade, que é sim,
muito ensandecida.
Sinto-me bem, bem como não ousei antes.
Agora, diante de tantas mudanças, revelações,
fim de caso, tudo fica lindo como uma dia de verão.
Os pássaros cantam aqui, na minha janela.
Vou pra rua, cantar com eles.
Fazer coro com esses seres alados,
que, de lá de cima, nos mandam sinais de
vida, da mais pura vida.
Como eu amo! Isso já não cabe dentro de mim,
exala, extrapola todo o meu ser.
Amo todos, amo tantos, amo tudo.
Que amor gostoso!
É muita mais do que bom se permitir.

Nenhum comentário: