
Tenho sentido uma liberdade fascinante ultimamente. É como se do caos, dos problemas e dificuldades, viesse, emergisse, algo muito maior, muito além da percepção costumeira, do hábito. Como se a alma se manifestasse, mais, muita mais do que o corpo. Sabe aquela sensação de ficar feliz sozinho com um livro, um filme, uma música? De rir à toa e sem motivo, de gozar dos pequenos e cotidianos prazeres, de não encarar os desprazeres como algo insolúvel, cristalizado? Quero vida, vida, vida, mas não essa vida banal q se é pregada por aí, por jovens que acham que tudo se resume numa boa noitada; quero aprender, apreender, trocar, não radicalizar, dar chance ao acaso, sem programações, sem scripts, vivendo o que vem e o que vier, desarmada, solta, livre. Talvez. Talvez essa seja a palavra: talvez. Aprendi tanto nesse último mês, coisas profundas, sentimentos profundos, fui lá, ao fundo do poço, e voltei, reerguida, com uma outra visão de tudo, inclusive do fundo do poço, que não era assim tão fundo. Cheia de marcas, é verdade, mas não cicatrizes. A morte liberta. A morte é maior do que a vida. Viva a morte. Tem que ser celebrada, como no México. Tem q haver festa e felicidade. Estamos em outro caminho, acabou a jornada, o transitório se firmou - agora, uma nova fase. Encarar o medo de frente, olhar em seus olhos esbugalhados e profundos, sentir ele por um triz se apossar da sua alma, e sorrir, seguindo o seu caminho incerto. A idéia da transitoriedade, da mutação, da flexibilidade da vida, me dá forças para seguir esse novo caminho ao qual terei de me dispor. Vontades adiadas, ações diversificadas, mas, mais uma vez a certeza da mobilidade me faz ter forças pra não sucumbir e seguir, reta, digna. Sem tormentos pequenos. Tenho mudado tanto nos últimos dias, que nem sei. Me desdigo, me contradigo, me embaralho, desespero, faço besteira, depois vejo que não tem nada a ver, foi só um momento – um momento.("Um momento, me dê licença, não se aproveite de minha fraqueza!") E experimentamos momentos, séries e séries de momentos. Esqueci a tal perenidade. Não quero nada eterno, nada que dure mais que um segundo ou dois. Viva a rotatividade, viva a vida que cresce e as plantas que morrem. Tudo está incluído no grande ciclo que se repete, repete, repete...
Quero aproveitar o que há de bom, sem me iludir, sem me reter, sem me censurar e, especialmente, sem me prender a nada. A vida, por si só, já é uma prisão. Prendemo-nos às nossas escolhas. Se escolho isso, deixo de lado aquilo. E minha vida que seria uma, se torna outra, completamente diversa dos sonhos, do que seria o planejado.Mas há o que se planejar? (dilema) Enfim, o medo de se prender tb já é uma prisão. Mas não tenho medo. Não tenho medo do medo. Acho até que consigo conviver bem com ele, sinto uma certa atração. É... a vida. É a minha vida. E não pense que te rendo homenagens, a vc e a ninguém, minhas homenagens são às idéias, ao cosmos, aos conceitos, ao abstrato, ao infinito. Vc, hoje, pode ser o sintetizador de tudo isso, mas não é vc, como ser supremo, é vc como ser vivo, é vc que é como eu, na identidade, na identificação, que funciona fisiologiamente como eu, um semelhante. Essa é a minha vida hoje. Essa é a minha vida? Posso resumir minha vida a meras palavras soltas aleatoriamente e dizer: “é isso!”. Não sei. Acho que não. Talvez sim, se lançar um olhar metafísico, analítico, sem preconceitos, ou valores universais... Voltando à idéia das mutações. Qdo eu digo "É", cito o verbo no presente. Tudo que falo é do agora. Não cristalizo minhas sensações, nem idéias... tudo passa, tudo muda e tudo vai. Vi um filme legal hoje, bem legal, já devia ter visto antes... “Paris, Texas” Win Wenders, muito bom. Vou indicar ao Chico, se é q ele já não viu. Tenho que ligar pra Joana, combinar as coisas. Tenho que falar com Madu, dar notícias. Tenho, tenho, tenho...
E não saio das palavras...
Seria isso mais uma prisão? Quantas ilusões... ou não?
Hahahahahahahahahahahaha (uma boa gargalhada, é tão bom. Catarse)
2 comentários:
Boa sorte, um começo ou recomeço é sempre bom...
Bjos
Abraço de verão!
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