25 de jan. de 2008

BlublAUcoqui

Em tais dias, quentes ou frios,
a consciência sai a passear de táxi.
Em tais horas, cedo ou tarde,
há que se errar pelas redondezas.
Com tais fatos um nó a se desatar,
atando-se novamente em seguida.
Há vezes em que a solidão vem acompanhada.
E há vezes em que a moral tira férias deixando
como substituta a vontade de potência (inconsciente).
Nados nus dados em praias habitadas.
Vidas encharcadas, vidas mornas, vidas loucas.
Não tem razão.
Não me dê razão.
Não queira razão de mim.
De tudo só resta isso: o amor.
Mora nos poros, na pele, no tato.

AMOR
MORA
CON TATO

Amo quem se toca, quem toca, quem mexe,
quem está aqui.
Não existe distância, nem ausência, nem
platonismo, na falta de contato, desata-se
sem tornar-se a atar.

Com licença, vou entrar.
Arrebenta-se a porta, a madeira se queda
quebrada em pedaços relegados ao chão carmim.
Não esperou que a chamassem, arrombou aquela que seria
sua principal rival:a porta.
De supetão, sem ao menos ser convidada...
mas ela não queria entrar, ela queria sair.
O que dizes?Não, ela queria estar com eles.
Não, queria sair dali, conhecer os outros mundos
que estavam além daquela porta.
Foram atrás dela?
A prenderam outra vez?
Isso é um ciclo vicioso, vicioso.
Creia-me, nada valeu a pena, isso é desculpa,
auto-comiseração.
Que sono, não durmo a quatro dias.
A cocaína espalhada no chão carmim
tinha como cúmplice o canudo, os dois sabiam de tudo que acontecera.
Gilberto não queria tanto.
Nem Gil.
Acabou cheirando muito.
4 noites sem dormir foi o seu saldo recolhido.
Alice demorava muito no banho,
tinha consigo mesmo um cuidado metódico, quase apaixonado.
Os prazeres cotidianos eram ritualísticos e soavam como uma liturgia
criada por ela, para ela e sua auto-adoração.
Se tinha em muito alta conta.
Deus sabe como a pobre era orgulhosa.
De nada valeu, acabou daquele jeito.
Fatalismo: inexorabilidade desregrada de um destino bêbado.
Come um pão. Vai te fazer bem. Toma um pouco de suco.
Depois de ontem me sinto um canalha.
Fodi com tudo por causa daquela mulher! Peste!
Se ela não tivesse me atiçado, se não tivesse me provocado
até o último instante, ah, isso não teria acontecido.
Mas a sacana me tirou do sério com aquela mania sensual,
me seduzindo a qualquer custo.
Acho que eu me apaixonaria por ela.
Ela é dessas de fazer os caras se apaixonarem.
E minha namorada? E o Gustavo?
Como eu sou escroto. Sacaneando meu brother.
Pensei mesmo que essas coisas só rolavam em filmes,
romances, essas coisas...
E ela... a aquela safada. Que mulher safada! Que mulher gostosa!
Minha cabeça confusa só faz merda.
Tenho que tomar vergonha na cara e arrumar um emprego,
sair de casa, virar homem.
Mas ele se esconde atrás da síndrome de Peter Pan.
Bem mais cômodo assim sem responsabilidades.
O outro rapaz é muito bonitinho, pena ser tão louco.
Já aquele outro, aquele é um gracinha, mas... sei lá, falta alguma coisa.
E aquele moço psicólogo, calmo e bonito? o que houve?
Acho q o problema foi a situação toda...
E o anterior a todos esses?
Morreu. Morreu? Sim. E seu espectro vive a persegui-la.
Que fantasmagórico!
Isso me lembra aquelas frases engraçadas de filme de Almodóvar.
O rapaz novo tem bom gosto, gosta de mim.
Gosta de clube da esquina e rock progressivo,
mas prefere mpb e o óbvio: gosta dos beatles.
Eu espero que ele, além de abusar de tudo, não empreste aquele livro com dedicatória, que ao menos arranque a dedicatória, limpe com corretivo, esconda aquilo, esse tempo não existiu, foi um tempo perdido no tempo sem tempo.
Voltas grandes dão essa vida... bem grandes.
E hoje continuo sem saber onde estou.
E ela também.
E ele.
E aquele outro.

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