7 de jan. de 2008

Kitsch amoroso




Escatologia Cotidiana é uma expressão que
parte dos seguintes princípios:

1) Todo o dia, de uma forma ou de outra,
é o fim do mundo; O apocalíptico.

2)Todo dia é dia de merda.

Entramos, então, numa discussão kitsch,
da qual pego reforço, em minha primária argumentação,
com Milan Kundera, não o gato, o escritor.

"... Se, ainda recentemente, a palavra merda era substituída
nos livros por reticências, isso não se devia a razões morais. Afinal
de contas, não se pode considerar que a merda seja imoral!
A objeção à merda é de ordem metafísica. Defecar é dar uma prova
cotidiana do caráter inaceitável da Criação. Das duas uma: ou a merda
é aceitável(e, nesse caso, não precisamos nos trancar no banheiro), ou Deus
nos criou de maneira inadmissível.
Segue-se que o acordo categórico com o ser
tem por ideal um mundo no qual a merda é negada e no qual cada um de nós se comporta
como se ela não existisse. Esse ideal estético se chama kitsch.
Esta é uma palavra alemã que apareceu em meados do sentimental século XIX e que, em seguida, se espalhou por todas as línguas. O uso repetido da palavra fez com que se apagasse seu sentido metafísico original: em essência, o kitsch é a negação absoluta da merda; tanto no sentido literal quanto no sentido figurado: o kitsch exclui de seu campo visual tudo que a existência humana tem de essencialmente inaceitável."

Bem, voltando ao raciocínio inicial, como nós, seres pensantes,
podemos negar certas coisas? Por que temos, por opção consciente,
viver num simulacro burlesco?
O fato é, onde Há Merda, há.
Não entendo tamanho preconceito com algo que sai da gente.
É como na vida, negamos tudo que achamos ruim. É ruim?
Não presta?
O que acontece é que temos uma visão estreita das coisas,
poucas vezes analisamos a pluralidade dos diversos fatores que nos cercam
e nossas ações/ opções.
Possuímos a trágica mania de julgar a tudo fácil e levianamente.
Carregamos nosso martelinho pra lá e pra cá e fincamos nossos veredictos
nas portas de quem é culpado. Logo, o culpado, ou a culpa, tornam-se abjetos,
como se possuíssem alguma peste, uma doença extremamente contagiosa.
Outro contra-senso.
E o fim do mundo? Bem, todo fim pressupõe um começo, se há um fim, existiu, teoricamente, um começo. Mas o que seria o fim do mundo? De qual mundo?
o meu mundo? O seu? Pra mim o fim do mundo é agora, aqui dentro.
Só que trago um adendo de luz, após o fim, um novo mundo ressurge, tão mais
interessante, belo, instigante, do que o anterior. Não valeu o fim?
Um outro questionamento: Será que o fim(concreto)de alguma coisa existe?
Não é um pouco restrito pensar nas coisas só como um simples processo de início e fim?
Isso tudo que escrevo, na verdade, é sobre o amor.
Tudo volta pra lá. Retorna pro lugar de origem.
Pra mim, AMAR PRECISA DE COMPLEMENTO.
Mas não nego, e aí entraria em desacordo, é intransitivo.
Boa citação de Mário de Andrade!
Tens esse livro?
Qto ao juízo? dizem que o dente siso é o dente do juízo, não é?
Pois bem, há uns 4 anos, eu acho, tirei todos os dentes sisos.
Em 2007 nasceu o último, que ainda está crescendo na minha boca,
só que suspeito, que assim como os outros, ele será extirpado.
O que é o juízo? Vc sabe? Se souber, conta-me, rapaz.
E bem, ficamos assim... não entendo muito bem suas palavras,
mas tenho uma compreensão geral da idéia.
Aliás, vc escreve cada vez melhor.
Acho, dentro da minha soberba prepotência, (pra ficar assim mesmo,
cheio de pleonasmos sórdidos), que isso se deve a mim,
embora, saiba, vc jamais admitiria.
Voltamos ao kitsch. Lembra que te falei disso na praia?
Pois bem, o kitsch é tosco, isso é indiscutível, mas se faz presente, e,
diria, até mesmo necessário, em alguns casos. Pra que haja uma compreensão do
kitsch.
Nós vivemos um kitsh amoroso.
Isso, pra mim, é um fato.
e vou, vou tocando o meu barco diante de tais constatações.



E, na tentativa de DESkitschizar os pontos de vista auto-impostos por nós mesmos.
Acho que a compreensão do universo kitsch já está de bom tamanho, ao menos pra mim.



Um grande abraço.

Nunca em desamor.

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