10 de mai. de 2008

mar azul de hoje

A gente tenta achar uma imagem que caiba

nos sonhos, nas escatologias de todo dia.

Daí a gente tenta desenhar uma nuvem,

e a gente quer que ela dê adeus, diga oi

e até breve.

A gente vê o arco-íris e não entende

daquelas cores todas.

A gente percebe o vento forte e não pára

pra sentir.

A gente segue.

E quase sem querer, de manso e de longe,

a gente passa por um bocado de coisas

que não queria mesmo passar.

Perto, perto demais pra ser de outro. Do outro.

A gente existe.

Existe?

Mesmo.

A gente escuta algumas frases soltas e tenta conectar com

a falta de sentido de tudo à tardinha.

A gente dobra roupa e guarda lembranças daquela brisinha leve de anteontem.

E ele assim: como não(?) - quem quer nada(!) -

pergunta por mim.

(?)

Agora, bem agora.


Algum fragmento de alheamento musical aqui do lado,

vindo daquelas caixas grandes e cheias de propícias sonoridades,

deixa tudo azul.

E hoje,

hoje nem sei de ontem

e de amanhã - quem saberá?


Tudo,

meio nada,

da filosofia matinal.

Vã.

Tapioca e café na cama.

Gratidão do estômago:

cheio.

A gente vai ao mar, escuta os segredos furiosos.

Nada - como que pra aliviar um peso indevido.

Como que pra ceder um pouco.

Como que pra trocar,

tocar

numa abstralidade

azul

de

imensidão,

gozo

e

sombra.


Lá.


(do seu lado)

2 comentários:

david santos disse...

Excelente post!
Parabéns.

Priscila Milanez disse...

Gostei muito Zilá?! Tão carregado de imagens e sentires!
linda tu!