Algumas coisas soam estranhas nesse dia cinzento de cores trágicas e musicalidade enrustida. Alguém me acordou querendo uma carta.
Tudo muda muito rápido - e eu(?) insisto em me apegar!(?) – nesse calendário linear que faz muito bem feito a implosão de lembranças não tão distantes e ainda bastante vivas. O que me quebra a cara é essa mania do mundo globalizado de objetificar as pessoas, as coisas, as relações.( Tudo perde a magia, a ritualidade). Tenho um punhado de medo de me tornar insensível, de acordar um belo dia, e me dar conta de que sou como tantos que já critiquei: indiferentes, intocáveis.
Habito o coração da magia e acredito que tudo está conectado; as forças se aglomeram e potencializam-se. Como aquela história de ontem à tarde: da força das ondas na areia e nossa vida que conflui para dança ritualística do universo.
Olhei o jornal hoje cedo – ou foi ele que olhou pra mim?- (obs.:hábito que não tenho), e vi o resultado de uma lei de incentivo municipal, quando me deparo: “Caramba!”
Aquele avoado conseguiu! E foi um misto de sensações que me invadiram. Tive o impulso de ligar, mas me reprimi. No entanto, o que mais me deixou confusa foi a sensação de não entender nada. Não que eu tivesse que entender alguma coisa, mas esse dia esquisito, frio, pálido, e esses sinais místicos me deixam louca como poucas coisas na vida.
Entusiasmo traz arrependimento. Cansei de me excitar com o que não pode ser e não é. O máximo que posso entender de hoje diz das cores do dia e de toda essa tragédia implícita em cada ato, em cada renúncia, em cada escolha. Será por isso que opto, muitas vezes, pela inércia?
Não faço! E esse é o meu protesto. Por outro lado, já estou fazendo, quebro o ciclo e torno-me igualmente hipócrita a defender algo que não consigo praticar. (Poxa, isso é um plágio mal feito de Cortázar). Até plagiar tornou-se: Cria, copia; copia e cria.
E volto a olhar ao redor em busca de imagens que tirem esse texto da apatia chata em que se encontra: o telefone desleixadamente jogado no canto direito da mesa, em cima de papéis com anotações de outrora; números de cursinhos preparatórios para concursos públicos; fios, cabos - e nenhuma conexão tão energética quanto a nossa, João.
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