19 de ago. de 2009

Requiem de uma amizade

A gente era unha e era carne. Feijão e arroz.
Uma coisa só, ou duas coisas muito parecidas, que pareciam ser a mesma.
Era bonito de se ver: tanta tranquilidade que emenava de nós.
aí a gente achou que tava tudo muito emaranhado, muito misturado, muito complicado... e a gente concordou. A gente, então, se separou.
Agora não sei mais da gente. Quem é você? Nem posso ver nos teus olhos as mesmas coisas que vi um dia. Os planos, a amizade, a cumplicidade...a força que vinha do nosso encontro.
tudo deu lugar a um vazio afrontador - que você finge que não incomoda, que não nota, que não vê.
a gente se perdeu da gente.
E outras coisas boas apareceram e se fizeram grandes.
E algumas pequenas se aproveitaram da situação.
A gente se perdeu, a carne dissolveu, a unha quebrou...
O que restou, amigo, de tudo qie a gente já foi?
Não é apego ao passado, mas ainda não entendo o presente trilhado.
Caminhos que eram tão próximos, similares e acolhedores, parecem que perderam-se facilmente...virando o extremo oposto da delícia de um dia.
Era como um pressentimento...
um dia isso ia acontecer, mas não foi como nos outros casos em que a gente se desvia, mas se encontra...
aqui houve uma mudança de rota, uma mudança de rumo e de olhar.
Eu lamento, bom amigo, não era o que eu esperava, mas lhe disse que seria arriscado e a gente topou.
Por ora, choro o teu defunto. E rezo pela tua alma.
Boa sorte!

2 comentários:

Carla disse...

essas despedidas...

Carla disse...

Já me despedi várias vezes assim sem notar... é quase sempre sem notar, não é?