Lá ia ele, todo colorido, no meio da turba acinzentada.
Já era coisa idiossincrática, toda aquela mania estupefática, de cagar bolinhas em cor.
E a turbamulta vibrava, ensandecida.
Ele ria da turba, ria de si.
Ria do riso.
Ria.
Cada ponta, de cada dedo, tinha uma cor fantástica: verde-lima, laranja escuro, rosa- choque, roxo e azul cobalto.
Dedos com que pegava os sonhos, malabarizava e devolvia em possibilidade.
Coloria os dias pra não imergir na poeira gris dos robôs e carros. Tanta fumaça!
O palhaço, mais que engraçado, politicaliza o que nem foi pensado.
Fala o infalável e ri do não risível.
Vez ou outra toma um gole de cachaça pra manter a graça.
E chora escondido, todo travestido, de homem decidido.
Radical da cor, sorri em amarelo.
E quando questionado, sai por um dos lados.
Clown que é clown se vira, se gira, se pira e
pumba! já foi!
E, depois da multidão, sozinho, sentado no chão,
vê que o mundo não é brincadeira, não.
Mas sabe, como bom palhaço que é:
o que o povo precisa dele é!
2 comentários:
Eu quero...
: )
adorei. a força do riso, do insano, da falta de sentido que diz, que diz, que diz.... mesmo que por vezes não entendamos.
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