14 de nov. de 2009

o vento do tempo

Eu sempre quererei de querer o vento.
daquele jeito invasivo e insano como me atravessa e arrasta a alma.
é de me levar junto, sempre me leva junto, leve, leve.
toda vez, engravido tempestade.
porque esse vento e essa água, dificilmente germinariam outra coisa.
e vislumbrava, sentado um instante, o tempo do tempo, e no tempo intempestivo do tempo, nas auroras,
nos rubores -aqueles acessos da gente.
Era um deus, um deus caído, desolado, soando ternura.
era magro como um fio, gestual, esquisito, trépido.
era o vento do tempo, e se deitava com frequencia ao meu lado.

5 comentários:

Água - amana - tupi chuva. disse...

Engravidar tempestade...

Coisa de Pachamama.

Uma imagem:
Longos cabelos tecidos de folhas verdes, e o corpo branco de nuvens e terra e mar e o ventre redondo do mundo todo em água e atmosfera.
Toda mulher é um pouco Mãe Terra.

:)

Carla disse...

como é que se engravida tempestade?

Felipe disse...

o vento faz a gente lembrar que somos uma coleção de poros.

Leonardo Vieira disse...

Todo o tempo é agora.

L. disse...

Palavras lindas,
senti um sopro suave na face do meu eu-lírico.
Beijos