Sem lugar definido, nem destino certo; aqui dentro, algo pede passagem.
Tenho muito medo de deixar isso que está se formando, que está sendo gerido, sair...
seria como se abandonar um pouco,
seria como correr nu na tempestade e saber que a beleza disso se choca com a preocupaçao de ter uma toalha quente pra se secar quando o frio vier, e, da possibilidade de que essa tolha nao exista, logo o frio será sentido intensamente,
mas será que quero mesmo sentir frio? e, por outro lado,
será que quero abrir mao de me entregar à tempestade?
Os dias por aqui sao especificamente estranhos... nao sei pra onde estou indo, nem como... só sinto o esbarrao da mudança, o encontro, o tranco.
Sei que depois que ele foi embora percebi como é siamesa nossa relaçao, e sinto no corpo, no sangue, a sua falta; mas, ao mesmo tempo, sinto que preciso renovar meu sangue, trocar o sentido do fluxo, mudar de veias, desentupir as artérias... sinto algo semelhante à morte...
Dizem que a vida segue seu fluxo... sei que tenho escondido...
sei que preciso mostrar.
Só nao sei como.
Sinto necessidade de fugir, viajar e nao viver isso agora, nao sentir a ausencia, essa presença opressora que invade sem estar.
4 comentários:
Siga sempre o que diz, essa manifestação poderosa que acontece dentro e fora de você, deixe sua vida acontecer como um riacho acontece; como a dança dos rios, a vida brotando de uma nascente e confluindo com a vastidâo de oceanos mistério. Inspire toda vontade no ar; deixe brilhar o sol e arder chama viva no seio.
beijos, seixos e pessegos.
A vontade de anestesiar, querida, também a vontade de gritar, também a vontade de voar. Essas suaves vontades explosivas. Você fala delas muito bem. O que fazemos com as ausências? Eu nunca sei. Juro.
q saudade de um abraço gostoso nocê, menina
Paula-a-paula. Encontrei aqui suas contradições, muitas vezes caladas por outros discursos. São essas ambiguidades internas que impulsionam nossas escolhas, ou nos deixam estatelados, indecisos e inseguros. A anestesia. Paula-a-paula, tantas outras... Que bom ler seus versos aos avessos!
Saudades.
Beijos mineirescos.
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