11 de abr. de 2012

Carta para Jaia

jaia,

hoje te escrevo uma carta qualquer, de um jeito qualquer.

Me sinto cansada de um modo geral, mas não tão cansada. Então, estou cansada de certas coisas, estou cansada com certas coisas. E vc, o que te cansa?
penso que as coisas tem se encaminhado de um jeito não muito imprevisto em minha vida,
parece até se tratar de um padrão, analisando rápida e superficialmente.
Será que somos todos meio padronizados dentro de nossas próprias configurações?
queria te falar poesias bonitas, dignas de leituras bonitas e epifânicas,
mas o chato também faz parte do cotidiano, o cansado, o sem graça.
nem toda hora estamos cheios de boas ideias e transbordando virtudes, diria até que a maior parte do tempo
não estamos nessas condições.
mas o que vale é qualidade, não é?
Então, e daí?
E daí que as coisas demorem pra acontecer e que nem todos estejam interessados?
E daí que qualquer coisa nos desmotive?
E daí se desistimos muito facilmente de tudo?
E daí se não temos paciência?
Quem nos apontou o padrão?
O que está certo?
e por que é errado?
Por que achamos que não temos tempo para nada?
Por que não temos 15 minutos pra alguém?
Por que não temos tempo?
Por que precisamos de perguntas para não ficarmos tão tontos?
E por que não queremos a tontura?
Será a tontura de todo ruim?

Ah, Jaia, me ajude a pensar, me ajude a criar mais perguntas e, instintivamente, buscar pistas que nos apontem caminhos possíveis de serem inventados.

Cansei, especialmente, de quem já não tem mais vontade de inventar possibilidades, de quem tem preguiça por achar que já sabe o caminho, numa espécie de empirismo do saber que emburrece e cega.

Vamos abrir os olhos pra escutar melhor.

E vamos colocar em questão nossas práticas.


te quero.


Hipólita

Nenhum comentário: