25 de fev. de 2007


Ela acorda cedo ainda angustiada, há dias não dorme bem. A possibilidade de uma gravidez inesperada deixa-a apreensiva. Vai até o banheiro, pega a embalagem feia do teste, colhe o xixi e espera, sentada ao vaso, calças abaixadas, ansiosa. Cinco minutos mais tarde, apenas uma lista; negativo. Não foi dessa vez. Parece que está aliviada, não se sabe ao certo se ela queria ou não esse filho agora. O que a fazia ficar mais nervosa era o fato de mal conhecer o pai da criança. Foi tudo muito rápido, uma grande trepada. Após um longo jejum sexual, encontrou esse rapaz num lugarejo interiorano, numa cidade atemporal. O moço: lindo, olhos azuis dos mais intensos já vistos, pele clara, cabelos negros. Logo logo se entenderam, seus corpos particularmente. Ela pensava a cada momento enquanto estava com ele: “ que homem!” Talvez ele tivesse percebido a admiração em seus olhos, talvez ela tenha verbalizado. O mais curioso é que os dois se amaram por um instante, um breve e inesquecível instante, e como em acordo tácito, deixaram as coisas desse jeito. Cada um foi pro seu canto, cada qual cumprindo os ritos sociais aos quais se destinavam. Ela até hoje lembra dele com desejo e uma dose de melancolia... ele não se sabe. Ela espera um reencontro em outro lugar fora do tempo, ele não se sabe e tampouco interessa, essa é a história dela, dele não se sabe.

Um comentário:

Unknown disse...

com licença... buenas..
de que filme é essa foto?