
Dança louca é a dança do desejo, louca, destemperada, descontrolada e maravilhosa. Como é bom falar de sexo sem medo, sem tabu. Verbalizar detalhes, inserir porcarias, criar fantasias, satisfazê-las. Melhor ainda quando se tem um ouvinte ou interlocutor à altura. Livre de preconceitos, aberto e tesudo. Como é bom ter tesão, sentir o tesão. Não só o físico, não só o do gozo, tesão pelo outro, pela vida, trabalho, por um pedinte, uma criança, pelo pai, pela mãe, por um desconhecido. Como diria Roberto Freire: “Tesudos do mundo uni-vos!” Vamos entoar esse lema, quem sabe não pega? Conheci um grande tesudo ontem à noite, totalmente adepto à teoria da libertação sexual. Que maravilha! Há que se comemorar! Mais um pra trupe. O curioso é que entre conversas, qdo se fala de sexo, de tesão, depara-se com o objeto de desejo e aí entra-se num assunto bem interessante. Oq dá tesão? Algumas pessoas clichês sentem tesão somente pelo belo, pelo photoshopado, pelo músculo trabalhado em academia, não que isso seja ruim, tb gosto, mas não deveria ser padrão. Devíamos sentir tesão pela diversidade. Que graça tem transar sempre com o igual? Não estou falando de amor, q fique claro. É tão interessante tocar um flácido qto tocar um marombeiro, oq deve ser medido é o desejo. Somos muito imagéticos, gostamos mesmo do apolíneo, o dionisíaco fica oculto, destinado aos undergrounds, e olhe lá... nem esses undergrounds escapam da ditadura estética de beleza. Esse padraozinho glogo...
E as fantasias? Pq têm q ser recheadas de mulheres siliconadas e homens aumentados? É o clichê do gostoso. Homem gostoso é homem pauzudo. Mulher gostosa não tem flacidez nem celulite. O louco é que existem outras formas de atração, não é só isso... e a inteligência, onde fica? Alguns dizem q ela é afrodisíaco, outros riem dessa afirmativa.
Indo pra outro assunto tesudamente interessante queria refletir aqui com vc a respeito do amor livre. Isso sim, ainda um grande tabuzão. Quem, dentre várias das pessoas que eu conheço aceitaria uma relação aberta? É, aberta. Com direito a outras trepadas por fora. Quem? Ninguém aceita isso. O mito da monogamia e o amor romântico reinam, imperam entre a maioria esmagadora. Pois bem, como sou corajosa, conto pra vcs meu sonho: adoraria dividir a casa com um parceiro, esse parceiro e eu teríamos total liberdade p/ escolher quem quer que fosse pra eventuais trepadas, e inclusive participar da foda do companheiro. Isso não seria bom? Gostoso? Amigos, amantes, companheiros em todos os sentidos. Ah, e sem distinção de sexo. É, pena q isso ainda fique na utopia, ao menos pra mim. Só atraio parceiros possessivos e passionais. Uma atitude dessa seria morte certa. O mais prudente é deixar claro no início da relação que o assassínio deve ser indolor e eu gostaria de ser cremada. E, mas aí corro o risco de voltar à idade média e virar churrasquinho vivo. Hum... nada agradável essa idéia, melhor parar no indolor. Com direito a contrato assinado e tudo. Bem, mas voltando ao tesão... é realmente um assunto necessário, uma vez que vivo, uma vez q pulsante. O sexo tem que de uma vez por todas deixar de ser um mito. O perigo disso é esbarrar naquela questão levantada por Foucault: o culto ao sexo rei. Vivemos cada vez mais um momento de abuso sexual. AS mídias, a publicidade, e uma infinidade de outras coisas joga muito bem com o apelo sexual e aí caímos naquela vala comum do sexo como um objeto de consumo. Homens e mulheres fodendo por foder, objetificando o outro, consumindo-o. Veja bem, não estou me contradizendo, qdo disse em cima q idealizo uma relação aberta, com trepadas eventuais extra-companheiro, não afirmei q seria objetificando ninguém. Acho isso lamentável. Uma amiga feminista me disse uma frase interessante, q viu naquele filminho Vanilla Sky, a personagem da Cameron dizia pro Cruise mais ou menos isso: "Quando dois corpos se unem no sexo há uma promessa e ela DEVE ser cumprida". Isso é meio louco, dá pra dar umas boas viajadas nessa frase, criar correntes e teorias... deixo isso por conta de vcs... vamos falar sobre sexo, vamos pensar sobre sexo, vamos fazer sexo, sem obrigatoriedade, sem recalque. Não é p/ arrejimentar um exército de bem-resolvidos, não é essa a questão, a questão é não criar um novo tabu. Será q eu com essa proposta não estou fazendo isso? Vale pensar...
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