10 de abr. de 2007

Aquele lugar


Essa arritmia não vai mais me pegar de surpresa, vou arrumar logo um remédio pra me curar ou então morro de vez, morro logo; assim, sem vc perceber. Que se danem seu esforço de me entender e essa gargalhada minha escandalosa. Que se danem os animais domesticados e sua voz doce, que se danem seu nome engraçado e as coisas chatas que vc diz. Essa melodia franco-brasileira, que chega aos nossos ouvidos distantes e um tanto ensurdecidos de tantas acusações insensatas, essa melodia gringa, importada, remasterizada, não muda nada e também é ridícula como vc, como eu. Ah, nem sei se te quero mesmo. No fundo, nem quero. Vc é tão sem graça, tão apático, tão contido, tão... tão... distante. E não se trata mais da distância física. Não, não é isso. Vc é um bobo, sem experiência, talvez não saiba, talvez não saiba deixar, talvez tenha demasiado medo, talvez demasiados princípios. Se arrisque, homem! Deixe acontecer. Sem isso, nada tem graça: nem pensamentos, nem filosofias, nem teorias, nem debates, nem botecos- sem o risco tudo vira superficial, hipocrisia. Ah, mas quer saber? Deixa isso quieto. Quem sou eu, mesmo? Sou tão pouco indicada pra dar conselhos e desenvolver teorias... vivo mudando, vivo me desmentindo, me reinventado. De que adianta levantar uma bandeira agora? De que adiantaria reafirmar o que já tanto disse? Pra quê? É como se vc soubesse que não vai durar, nem curar... é mais uma fantasia, mais um devaneio... me enfio no clichê da pós-modernidade, a pós-pós... a alienação me espreita, ela é meu demônio, ela me mantém encarcerada. Porque qdo eu acuso fulano, sicrano, beltrano... é a mim mesma, eu sou meu maior alvo, sempre serei, tudo não passa de transferência. Como esse desejo, esse desejo q insisto em dividir, em extravasar, ele é meu, só meu, sou narcisista e me disfarço de rejeitada. Ou seria o contrário? Q se foda! Essas teorias tb me cansam. O melhor é fazer oq muitos fazem, sem maiores constrangimentos, ir se ajeitando, ir se deixando levar, se moldando conforme as circunstâncias, sem sonhar alto demais, sem querer voar. Aceitar de uma vez por todas essas asas partidas. Viva o cotidiano! Viva a rotina! E viva os compromissos cumpridos! A responsabilidade! A moral e os bons costumes! Viva a burguesia pós-moderna e ignara q masca chiclete e bebe coca-cola e come no Mc Donald’s! Viva os críticos de merda, como eu e os de peso, como outros. Viva tb os cults, que são muito chatos e engraçados! Viva! Vamos celebrar! É melhor do que encher o saco com questionamentos ultrapassados de botequim, não é? Afinal, eu não faço filosofia, nem psicanálise, nem psicologia, nem sociologia, nem antropologia, nem caralhogia. * Então, nego, nega, vamos esquecer os parâmetros e arrotar nossas idéias intuitivas por aí. Assim, qdo alguém te chamar de apolítico, vc diz: "tens razão, seu merdinha! Tens razão, seu porra! Tens razão!"

* Talvez desta ciência específica eu entenda um pouco mais.

2 comentários:

Anônimo disse...

"Afinal, eu não faço filosofia, nem psicanálise, nem psicologia, nem sociologia, nem antropologia, nem caralhogia."

Tem razão .. se faz arte !! é bem pior !!

bjos !!

dona disse...

Olá...as imagens são caçadas com carinho por aí, blog novo :)
Vou adicionar o seu e ler tudinho depois.Obrigada pelo comentário!