8 de abr. de 2007

Doc-ficção


Seriam esses textos tentativas desesperadas de me expressar pra você?

Ainda que não claramente, ainda que não explícita; seria assim minha obsessão emanada através dessas ondas virtuais?

Tentar te captar, te entender, te ver, te sentir...

assim tão longe, tão distante, será que dá certo?

A possibilidade do erro não me angustia.

De fato, acho mesmo que crio tudo isso, mas imagino vc - seu corpo lânguido, esquálido a passear na minha frente, a andar sorrateiro, envergonhado, nu e sincero - com seus olhos de cachorro, com seu olhar de vaca, a me perseguir a ir comigo, em todos os lugares.

Possivelmente essa obsessão que você renega, que lhe é indiferente - se fosse vivida, se fosse concretizada - talvez não fosse tão interessante qto a ficção, qto essas estorinhas que passeiam em minha cabeça a me confundir. Vc, por mais que tente e não queira, é.

Sem rodeios, não quero mais me esconder através de palavras remotas emanadas a esmo, soltas ao vento. Quero-te, sim! Apesar de nossos problemas, mesmo não sendo fantástico; ou por isso. Preciso da realidade que é expelida por seus poros, preciso dos seus olhos de coruja a me ensinarem o que muitos já esqueceram. Vc, minha obsessão, é mais uma. Mas, ao contrário do que me disse, me é muito especial.

Ainda agora penso: pq nos apressamos?

Talvez se tivéssemos dado conta de fazer o q havíamos planejado, se tivéssemos nos lançado em alto- mar e pesquisado sobre as vicissitudes diversas, não teríamos nos escondido atrás daquela ressaca moral.

Vc, meu amigo distante, venha com os ventos do nordeste, esquentar-me a alma. Não, não me veja como uma caprichosa, não pense que isso tudo é mais um mimo, uma regalia, e que vc seria mais um a satisfazê-la. Não é só isso. Pode até ser - e te confesso agora, que seja um pouco - mas acho que são outras coisas: o propósito, a vontade, a simbologia.

Por favor, não se assuste, vc bem sabe como são essas coisas, já colecionou algumas dessas sensações, que não sei se podem ser definidas como sentimentos, ou se são. O que importa é que no momento, esconder isso é pior, é como alimentar ainda mais o que não vai nascer, o que tá desenganado. Como eu ainda não sei se há ou haverá algum fruto da nossa já longínqua união, permito-me.

Vc tem muitos planos.

Quando voar, quando estiver lá no alto, talvez vc dê uma olhadinha aqui pra terra e recorde de qualquer coisa q seja. Não quero seus holofotes em mim, um facho de luz me satisfaz. De ti, quero ainda mais o contato, a amizade, a sua verdade - que eu adoro.

Brindemos então às outras coisas, talvez um dia elas tb se explicitem e apareçam no deserto das desilusões construídas por nós.

Em outros tempos, quem sabe? ... esperemos então as vacas gordas.

Não é questão de merecimento ou desmerecimento ou de atração ou falta.

Aqui me despindo, não sei se deixo alguma peça a cobrir-me, talvez vc perceba.


2 comentários:

Anônimo disse...

meio sem graça?
Garota !! divulga isso !!!
é lindo!!!!
Bjos!!

Unknown disse...

Não sabia que tive a oportunidade de estar ao lado de uma Expert na escrita.
Mesmo assim venho por meio desta parabenizar pela obra aqui escrita.
Bjos e Sucesso........