2 de out. de 2007

Caracóis


Como um caracol carrego minha casa nas costas.
Persigo a vida desatenta, cuidando para não errar.
Só errar, errar... errante.
Vc aparece na esquina de sua rua, espera-me descabelado
e de blazer; confiante.
Eu erro, erro, errante
Um novo amanhecer está nos planos;
eu, em desatino, me confundo e a ti.
Vamos? Tim- tim, brindemos a Jacques Tati.
Nada tem fim, nem começo, tudo conflui pro desassossego.
Sem tanto ego, ego, ego.
Eu erro, erro, errante
Quero doce de jaca, quero trepar no pé.
quero correr, voar, querer.
tudo depende de fé.
eu erro, erro, errante
Minha adocicada esperança,
com freqüência, torna-se amarga.
No desespero do alvorecer, o crepúsculo
tira-me pra dança.
Sem titubear, piso intranqüila,
em seus pés de jasmim.
Por muito tempo, nada continua bom para mim.
eu erro, erro, errante
Penso em cinema, faço amor, danço sozinha.
Terapia cotidiana não funciona. Calo-me por segundos.
Escuto o eco de suas palavras não pronunciadas.
Gasto horas de sua vida, perdes tempo...
enquanto vou para cozinha.
ah, se a vida já fosse dada!
eu erro, erro, errante
Meu relógio se atrasa, não tenho hora pro dentista.
Se um dia tudo desse certo, faríamos tudo errado.
Queres ser artista. És assim tão altruísta?
Por que procuras um culpado?
Pra quê tomar partido? Não seja fingido.
No fim, tudo é tingido.
eu erro, erro, errante
Como borboleta vôo de flor em flor.
Busco o néctar dos amores.
Nos bares, os dissabores.
Na vida, a dor.
eu erro, erro, errante
Sem vc, não tenho por quê.
Sem vc, sei chorar.
Não te prometo um eterno pesar.
A vida, solitária, garante o penar.
eu erro, erro, errante
Termino aqui, entre parcas e carregadas,
minhas palavras de chuva.
A tempestade não espera.
No vinhedo cresce a uva.
Nada disso altera,
a contração de minha vulva.
eu erro, erro, errante
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