8 de ago. de 2008

Fora do tempo

Vilarejo em penumbra; reverbera pela quieta cidade um ruído.
Mais do que um barulho, trazia em si a capacidade de despertar.
O povo, gente humilde que antes dormia por longa data, acordou.
E onde sempre esteve escuro, se fez dia.
Foi mais ou menos assim, mais ou menos do lado, mais ou menos de jeito.
E, no meio disso, passeavam nômades, gatos e toda sorte de gente.
Gente que sentia bege, mas também violeta.
Olhando lá de cima da torre podia ver a tal casa, e a moça bonita que dela saía na hora do repicar dos sinos; por vezes acompanhada, por vezes ensimesmada. Era dia de faxina. A tal moça pôs um bocado de coisas pra fora e outro tanto pra dentro. Curiosa, despertava na mesma medida a curiosidade alheia. E aos poucos, devagarinho como havia de ser, foi se apercebendo que não era de se ter pressa, que nada era pra já, nem tão logo, pois nada havia de ser.
E tudo havia de estar.
Estava de bom humor, uma luz que vinha do norte havia pousado ainda ontem em sua casa.
E clareou o que estava pra se tornar escuro.
Não, a moça recuou. E viu que não era de querer o que já se consumou.
Só era de viver, só era de morrer.
Pois era.
Pois foi.
Deu meia-volta, volta e meia.
E pensou melhorzim...
devagarinho é que se vai longe.
Mesmo assim, ela sabia de pouca coisa, mas isso lhe era certo:
AMAR.
Amava tudo demais da conta, a essência da vida resplandecente em cada olho brilhante,
em cada gesto espontâneo, no tom suave de cada voz.
Dos queridos, dos desconhecidos, dos estranhos.
Só amava.
Não sabia estar de outro jeito.
Eternamente apaixonada por tudo que fosse vivo.
Por tudo que fosse vida.
Ulalá!
Por dentro, por fora, de um lado e do outro...
só vale
quando toca.

2 comentários:

Água - amana - tupi chuva. disse...

Sabe....
esse mundo
essa vida,
assim...
Tão louca,
que quase faz sentido.
Ou faz demais
e dissolve
expandindo e refazendo
um ciclo círculo.


Se cuida.

Felipe disse...

ando sentindo coisas parecidas...
coisa boa!

ps. ontem postei a sua carta!! :)