26 de ago. de 2008

algumas imagens humanas

Uma canção meio bambi - uma pitada de vida Walt Disney, talvez começasse assim:

"Canta, canta, passarinho, canta, canta, pelo ar.

Vem, na brisa da manhã, com seu encanto a plainar.

Canta, canta, meu desabrochar."

Hum... gosto dessas levezas fofinhas; que podem ser tomadas por outras algumas camisas listradas - como, por vezes, as minhas- como simples hipponguices (de butique?).

Mas veja, amado humano: a cada passo, e quando um cílio se afasta do outro e, abro, com firmeza, meus olhos, enxergo variadas paisagens, cores e tons... muitos deles provocados por ti, é verdade. E, assim, sigo minha vida. Não tenho vocação pra morcego, embora adore o escuro e os pequenos focos de luz que emanam das chamas vivas de velas envelhecidas de esperar. Tenho vivido coisas muito gostosas, comigo mesma, especialmente. Me percebo cada vez mais intensa e viva na integração da natureza, do ser, do universo.

Mas tenho meu lado Ana Cristina. E talvez você saiba dele. Você me questiona se eu sei quem você é. Eu acho que sei. Mas sei que existe muito de ti que não sei. E você, aprendeu quem eu sou? Apreendeu? Sabe alguma coisa?

As ruas onde moro - porque invariavelmente, estão no plural - são feitas de encantos e mistérios - as vejo assim.

E assim, as outras coisas da vida. Acredito - na minha, talvez limitada, compreensão de mundo - que tudo depende do olhar que se lança.

Lancei sobre ti um olhar de carinho. Um olhar que ilumina os focos escuros e traz uma luz serena e branda, que não agride nem maltrata a vista pouco acostumada com a claridade. Sim, sei sua identidade oculta e você sabe que eu sei. Mas isso, como dito anteriormente por ti, pouco importa. Quero, apenas, que se sinta à vontade; e se HUMANO te deixa mais tranqüilo: bom, que assim seja. Porque não é a teu nome, ao teu rosto, ao teu ego, ou ao teu gesto que me conecto. Mas à tua poesia, à tua vida. Às tuas palavras, às tuas canções que me fazem ver ainda mais cores, ainda mais tons.

Você, meu querido ser, é um humano que me acena de longe, e, no seu quase acanhado gesto, percebo apenas a ação que veio dele.

Nada quero, espero ou idealizo...(?) canções passaram, vidas viveram, livros foram lidos ou jogados de lado, coisas muitas mudaram - a gente, ainda vive. E, com boa ou má memória, algumas lembranças se tornam doces e distantes acalentos, de vivências nossas de quase outrora.

Concordas comigo, certamente que a arte é intransferível. Não haveria de ser eu a artista de teu mundo, obviamente que não. Confesso que tampouco gostaria de ter essa carga depositada sobre meus ombros. Nem mesmo se você insistisse. Não sou afeita a prisões. Já vivi algumas no passado, você deve saber... e meu trauma de ex-presidiária não me deixa nem sequer pensar na possibilidade de ser novamente encarcerada por mim mesma. Ao meu ver, és tu, e somente tu, que podes pintar as cores de tua vida; como acredito que bem saiba. Mas isso não diminui meu apreço, minha admiração e meu amor por ti. Só não quero, nem posso, ser a balizadora de nada que não seja a minha própria existência no mundo.

Mas lembre, caro humano, o vento sopra – ora traz as nuvens, ora as afasta – segue sempre a soprar. O vento não pára. E, mutante, carrega as poeiras arraigadas nas frestas mais estreitas e nos vãos mais espremidos.

Eu tento, e com sorte, às vezes consigo, voar com ele.

Por vezes minha humanidade(?) não deixa, por vezes, meus calos me prendem nos sapatos... mas o vento não desiste, segue a soprar por outros caminhos. Eu, filha do vento, também não páro, nem calo, nem amanso. Só brisa, de vez em quando. Pé-de-vento. Pó, na estrada. Pó, poeira. Eu danço com você o que você dançar. Nesse movimento contínuo de amor, dor, regresso, pregresso, perpasso, por perto com flores, âncoras, películas, polaróides, canções... e desejo, emano, muitas coisas boas; vivendo bonito, como meu irmão Corrêa.

Movimento imagens.

Movimento sensações.

Imagens que tragam vida às palavras carecidas de cores.

Odores, que chameguentos, agarram na pele fresca de banho matinal.

Gosto mesmo é do cheiro dos sovacos. (será que se lembra?)

Assim como o das flores. (!!!)

E, talvez goste disso:

"Se é do eu;
é céu.
Se é do ego;
é cego."

Smetack

p.s.: não pretendo espezinhar-te. Já superamos essa fase.

Carinho.Nada melhor que o carinho.

Um grande beijo em ti e em tuas canções que chegam de mansinho.

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