25 de ago. de 2008

Diálogo esquizofrênico com amigo imaginário

I- Foi assim?

Talvez... nem mesmo voltasse.
Voltaria... se tivesse o que dizer, mas realmente não sabia como fazê-lo.
O que dizer, se tudo foi tão aparentemente dito?
Explicitado por ela.
Teria eu, algo mais a dizer?
Ou talvez devesse despertar sensações, sensorialismos outros?
Novos somos todo tempo, e o pic-nic foi delicioso, enquanto viajavas por estradas escuras e abismos infinitos...
estive aqui, do mesmo jeito.
Estive pensando em coisas outras, muitas coisas.
Estive vivendo.
Estive.
E ontem passeamos, um passeio mesmo que lhe caberia, tu e tua viola.
Mas tivemos um violeiro, e ele cantarolou belas canções dos anos 60.
Ando a trabalhar bastante, humanamente possível pra meu corpo ainda jovem
e cheio de frescor de vida.
Mas não perco o olhar aguçado que tudo percebe e vê. Ouvi dizer que tudo ia ser de outra forma, mas, então, vi:
indícios infalíveis de outras conexões que lhe cabem agora- tua vida.
Bom!Bom!

II- DEsculpas

Não tive ânimo. ânimo. DESânimo. DESculpe. Não culpe.
Culpa minha. Culpa tua, Culpa nossa. Toda a culpa. Nenhuma culpa. Nem toda culpa é cristã.
Esses enigmas de jogos, jogos enigmáticos... me acho, me perco, me vejo... quem sou eu?
Quem é você de sombra? Não importa? Importa! és o humano que erra, porque é humano.
E volta arrependido com as feridas expostas e as flores colhidas nas estradas, pousadas nas mãos.

III- Conclusão

Mas tudo o que trouxe... acredito ter valido a pena.
Ou Pessoa. Pessoa. Pessoa.
E, lá vai:"Tudo vale a pena se a alma não é pequena".
E valeu. Valemos, validos, desvalidos. Validados.

IV- Conexões outras

Tudo dentro de uma mala, trouxe. E ela não tinha rodas. Mas tudo bem, carregar malas cheias de conteúdo significativo; mais importante que a verdadeira interpretação.
Efim... talvez não importe a interpretação. Mas sim o conteúdo.
Certamente. Sem dúvida, como dira Chicote, amigo querido.
Por muito pouco não tivesse acreditado que não era você naquela outra conversa naquele teatro.
Estranho... eu? você? quem?
Teatro e conversas agradam os sentidos.
E eu numa conversa, ainda que flutuando por entre paredes e vãos incabíveis, estou cabida, inserida, com uma densidade estranha, invisível e aparente em teus olhos profundos de indiana olheira.

V- Síntese

Nem escreveria mais, amigo imaginário. Talvez não voltasse, tb eu. Mas voltei, ainda tenho algo a dizer...
sentir, ouvir, rever, re-SIGNIFICAR. Ok., dias a fio... esperei. Vamos lá, rapaz, podemos retornar, retomar, reviver. Músicas que façam o cenário. Canção para meus olhos.
Viva, viva!

terno afago em teus cabelos.

até!

música: madeleine peiroux ou Ella.

2 comentários:

Água - amana - tupi chuva. disse...

Sempre quis ter um amigo imaginário.
:)

Anônimo disse...

Conclusões... formas em partes que reunidas deixam quase um complexo inteiro.
Nota alguma semelhança por aqui?
Tem sido... uma busca. Um encontro a mim mesmo. Desleal talvez. Mas ainda assim um encontro que nas madrugadas, ao meio dia noite de meus dias talvez sem muito a fazer com o meu sempre habito noturno de viver, entre luminárias que volta e meia são substituidas por velas. Livros ora esparalhados, ora organizados em um estande que demonstra sinais nítidos de que um dia vai cair. Água... E quando ainda a luz do sol ilumina tudo por aqui, por mais que como um morcego eu tente me afastar, a triste poluição das unidades autmotoras invade e tudo o que preservo, as vezes, sem nem perceber. Uma vida que pode ou não ser mais real. Penso que se eu deixo de ser o que sou, simplesmente deixarei de servir aos estimulos virtuais de alguém que é destinatário de minhas palavras.
Penso se não és tu aquela moça com que falei no sabado. Talvez seja. Não costumo olhar para pernas de moças... mas ao menos sei de uma marca. Havia eu confundido um dia com uma âncora... doce engano talvez. Posso não ser ótimo de memória... mas me dizem ser flores.
Me pergunto então sobre a necessidade de procurar. A necessidade de ser então mais uma que um dia dirá das palavras que se foram, talvez para nunca mais voltar.
Sinto apenas que saiba ao menos com quem esteja falando. Talvez vc saiba muito bem qum eu sou, por estar na mesma essencia que a sua. Não temos um rosto, por mais que as palavras vez ou outra acabam limitando o imaginário à uma matéria densa e... demasiada... humana!
Como eu disse... fazia parte de um contexto. Era diferente apenas a cor, mas a estrutura era a mesma, de linhas escorridas... manchadas com uma certa harmonia. Me agrada lê-las mais do que as minhas próprias. Se um dia estiver donde parti com o intuito de buscar uma simples imagem, verás o motivo que me fez manchar tuas páginas. Talvez da forma que fez com que as minhas próprias fossem machadas por ti. Porém... ainda não permiti que seja vc a grande artista do meu mundo, e sim eu mesmo.
Como eu disse... nada além do que humano para sermos além.