deitada sobre a ficção,
dormiu com uma vontade latente de terminar ...
acordou...
com a mesma vontade...
quiçá, uma imanência,
quiçá, uma impermanência...
precisava de um ponto.
Um ponto pra começar.
Um outro, pra acabar.
Apenas um ponto qualquer,
pra dar ritmo certo
a essas batidas...
que não eram de asas de borboleta,
nem de pássaros em vôos longínquos.
Vida que transborda no faz-de-conta...
menina cria uma estória pertinente
e
segue.
Ontem mesmo era outra coisa...
tudo fluxo da imaginação:
era.
e eu também já.
era.
e fui.
ponto.
E é assim que as vírgulas se colocam...
entre uma palavra e outra:
espremidas de vontade.
Quero um ponto.
Um ponto dentro de mim:
em mim mesma.
.
.
.
que inaugure uma nova era...
era de ser,
era de esperar...
era de viver...
era de renovar...
que traga em si - como principal característica:
descaracterizar.
me dê meu ponto, você.
me dou eu: esse ponto:
.
.
.
Agora?
é só passar a régua.
ponto.
.
.
.
2 comentários:
Intrigante esse teu jeito contemporâneo de ser tudo-junto-ao-mesmo-tempo-agora e alternadamente...
..."muitas vidas em uma só vida"...
E teu jeito de escrever fragmentos sobrepostos que velam e revelam sutilezas e complexidades...dizem sem dizer, uma profusão de coisas que orbitam poeticamente em espiral...
Desperta uma curiosidade peculiar,
como de algo que é sempre inacabado e me lembra uma canção do Lenine que me agrada muito os ouvidos.
"O que é bonito
É o que persegue o infinito..."
Isso reconhece.
É também bela tua sombra, Zilá, porque a luz às vezes cega os olhos. E sombra é que faz respirar.
Adorei!
Adoro seus descontroles...
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