28 de set. de 2008

dos fins

deitada sobre a ficção,
dormiu com uma vontade latente de terminar ...
acordou...
com a mesma vontade...

quiçá, uma imanência,
quiçá, uma impermanência...



precisava de um ponto.
Um ponto pra começar.
Um outro, pra acabar.

Apenas um ponto qualquer,
pra dar ritmo certo
a essas batidas...

que não eram de asas de borboleta,
nem de pássaros em vôos longínquos.

Vida que transborda no faz-de-conta...
menina cria uma estória pertinente
e
segue.


Ontem mesmo era outra coisa...
tudo fluxo da imaginação:
era.
e eu também já.
era.
e fui.
ponto.

E é assim que as vírgulas se colocam...
entre uma palavra e outra:

espremidas de vontade.


Quero um ponto.

Um ponto dentro de mim:

em mim mesma.

.
.
.

que inaugure uma nova era...
era de ser,
era de esperar...
era de viver...
era de renovar...

que traga em si - como principal característica:
descaracterizar.

me dê meu ponto, você.

me dou eu: esse ponto:
.
.
.

Agora?


é só passar a régua.

ponto.
.
.
.

2 comentários:

Água - amana - tupi chuva. disse...

Intrigante esse teu jeito contemporâneo de ser tudo-junto-ao-mesmo-tempo-agora e alternadamente...

..."muitas vidas em uma só vida"...

E teu jeito de escrever fragmentos sobrepostos que velam e revelam sutilezas e complexidades...dizem sem dizer, uma profusão de coisas que orbitam poeticamente em espiral...

Desperta uma curiosidade peculiar,
como de algo que é sempre inacabado e me lembra uma canção do Lenine que me agrada muito os ouvidos.

"O que é bonito
É o que persegue o infinito..."

Isso reconhece.

É também bela tua sombra, Zilá, porque a luz às vezes cega os olhos. E sombra é que faz respirar.

Jô Rodrigues disse...

Adorei!

Adoro seus descontroles...