Encolhida no canto do chão do quarto azul.
O corpo, objeto de dissonância com o real, real estranhamento de si.
Coberto de etiquetas, sussurava: frágil! Frágil! Frágil!
Não tinha roupa.
Não tinha móveis.
O quarto escuro trazia o mínimo de acolhimento necessário ao eterno desassossegado instante.
Seus pesares, de tão introspectivos, inundavam o coração afogado de vã esperança.
Por muito que tentasse, nunca entenderia.
Por muito que entendesse, não tentaria.
Trazia nas veias uma fatalidade sincera e crua.
Pelos poros exalava o peculiar cheiro.
Não sonhava, nem dormia.
Despertencia-se.
O quarto jazia o corpo.
O corpo, desacreditado, clamava pelo órgão pulsante:
Hu-ma-no.
Um leve estrondo percorreu-lhe o sangue.
Descobriu!
O coração: humano.
Levantou.
O quarto: vermelho.
Tirou, vagarosa, uma a uma, as etiquetas.
Saiu nua.
E repleta.
Um comentário:
as coincidências...
Hu-Ma-Na
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