8 de nov. de 2008

De tudo se faz poesia

Pia da cozinha entupida.
Fazia calor e era dia.
A estatueta apontava pro norte,
mandava um sopro de outras terras.
O burburinho de vida próxima começava a
querer despertar algo dentro dela.
Transeuntes, ambulantes, vizinhos, família - toda sorte de gente articulada numa sinfonia endoidecida.
Esperanças despejadas em bandejas alheias,
deixadas à deriva, ansiosas pra época da colheita.
De longe, a sanfona.
Naquela época do ano, não conseguia pensar em outra coisa que não fosse líquida.
Um calor opressivo sufocava o povo dali.
Um balde de ostras e algumas bebidas inebriavam a mente e acordavam o sexo, pronto pra qualquer oportuno sinal.
A noite podia cair madura.
O bronze das peles brilhava sob a luz dos postes.
Um cachorro sarnento comia o lixo desleixadamente jogado ao pé da rua.
Um mendigo cantava suas dores com uma garrafa na mão.
Era dia, ainda...
e de tudo, de tudo se faz poesia.

2 comentários:

Água - amana - tupi chuva. disse...

É disso que falo!
Lindo!

rubiane maia disse...

Cotidiano que é vida e circula nas nossas veias... o cheiro do vento que passa e o olhar que a tudo capta.
Saudades!
Bjão