Depois de todo o alarido e do tremor incessante daquelas pernas rijas, jorrava poesia no buquê da manhã nascente.
Anoitecia, costumeiramente, quando lhe dava na telha, à revelia de qualquer temporalidade imperiosa.
Cantava pássaros, borboletas e botões de rosa, num autêntico ar-romântico-burguês.
Afrancesava-se, buscando o belo.
E, concomitantemente- afundava, desejante- dionisíaca:
dois mergulhos na tempestade. dois mergulhos no oceano atormentado de minha derme gris, e já sonhava com o vôo vespertino de gaivota desgarrada.
Dentro do quarto, quando viu, japonesa, o Tsuru contemplava o quadro cuidadosamente emoldurado e disposto, do outro lado do cômodo sujo, no ponto x, da parede ipsilone.
Era de se perceber, pungentes, pelos cantos, acordes, violões, libidos e tormentas - não necessariamente nessa ordem, ou em alguma outra ordem.
Aquela inisistência da chuva fez ele desistir dos primeiros passos secos, notando, claramente, a bolsa sobre o lençol listrado de branco e verde, todo aquele cheiro de cigarro, que ela detestava, e uma promessa descumprida de amor, aquietada junto à almofada.
Pensava, indiferente a tudo aquilo:
Outro nome.
Era preciso outro nome.
Um pouco longe dali, um outro esperava no primeiro dia anunciado.
E 365 dias de paz foram enviados por botões e estrelas aquáticas.
De submarinos nada entendia, exceto que eram belos e constavam de memoráveis canções.
Despertencia-se ao dar-se tão intensamente àquele que lhe amava em demasia.
E, ao caminhar com as formigas, rumo aos dormitórios impentráveis e labirínticos dos pensamentos recolhidos de ensimesmação; nadava, mais uma vez, no mar de trovões do Jockey Club.
3 comentários:
Impreciso é o tudo ao redor.
E quanto mais, tudo mais chove.
o tempo.. o vento.. o sabor..
Lindo esse texto, Paula! Carregado de imagens e sensações fortes! Muito bom. beijos
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