Ah, se a gente conseguisse entender...
Tudo dessas coisas de coração...
seria simples entender que não dá, que já foi - há muito tempo, aliás.
Mas... e aquele bicho, aquele que belisca de vez em qdo e que se usa chamar de inconsciente?
Que mostra que nem tudo vem da vontade - alguma coisa ficou presa, contida no mais espremido buraco do coração.
E essa coisa vem, com frequencia espantosa e contra o ceticismo de uma racionalidade necessária, manda tudo às favas e diz: é, está aqui.
A gente aprende na vida a correr, a ir atrás, a esquecer, sempre esquecer - não temos tempo pra pensar no que ficou pra trás.
E que tempo é esse que não dá tempo pra coisas tão mais importantes do que essas que fazem correr?
Disfarces impostos por separações repentinas - mas, diz a razão de ambas as partes- urgentes.
E se vive assim uma vida inteira...
Remexendo esses locais espremidos onde parecia não haver mais nada, olho com cautela e cuidado cada buraco, nem que seja só pra assumir: aqui tem um buraco.
2 comentários:
Até o que se supõe sólido
é cheio de buracos.
Ser poroso é estar mais próximo do sutil, do abstrato, do invisível.
Sinceramente, vejo mais sentido aí que em qualquer outro lugar. Reconhecer é o primeiro passo.
Viva os buracos!
Viva!
Paula,
o que há de mais escatológico está no inconsciente.
Adorei o texto, de verdade!
Beijos
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