Acho que Perdi um livro.
Ou talvez ele estivesse distraído em algum canto do mundo do meu quarto ou do universo da minha casa; ou ainda mais distraído nos prolongamentos de casas e casas por onde andei.
A vida imensa e tão saborosa, à espera - e eu distraída desde cedo.
As idéias surgem, se distraem e se perdem.
Mas é bom, assim, viver de idéias?
As músicas se paralisam com os acordes ainda dependurados no ar - é momento de agir.
Por enquanto, palavras me hão de faltar, palavras de menos, vidas de mais.
Achava que me encontrava no canto de cada palavra moldada no desespero do parto das frases.
E agora só sei que não acho mais.
As palavras não preenchem, NADA preenche.
Vivo o vazio, olho sua face, conheço cada ruga do seu rosto, dou nome às pintas por trás da orelha, ouço o coração acelerado, sinto o cheiro do hálito, toco
a pele porosa e até vou além, entro no fígado, no baço, no pulmão - respiro-o.
E, então, um ato: absorver o contato profundamente.
Desato: A mutação se esconde em meus naufrágios, mudar também pode ser se reprimir.
O meu enfrentar é sentir dor, é ultrapassá-la, é a ausência da pressa e a presença da troca.
Nem solidão, nem vazio, nem dor, nem medo, nem morte - essas palavras carregadas de significado- nenhuma delas pode enxergar a realidade dos fatos, porque são intoxicadas de condicionamentos e condicionamentos.
Um fato.
Sim, é só isso que me importa.
O ouvir, escutar, ver, encarar os fatos.
As idéias me são perigosas: aprisionam a mente. Fogem dos fatos.
Não podem mudar porque mudam à força; mudam porque não deveriam ser, ao invés de permitirem ser e se enxergarem como tal, para, então, verdadeiramente, seguir uma transformação.
Há uma mudança aqui, sempre há uma mudança aqui.
Olho-a com os olhos da alma.
Respiro minha mudança, sinto a poeira encrostada em cada caixa se libertar, voar, se desprender. E autorizo a abertura de cada pacote lacrado.
Abriu-se minha caixa de Pandora.
Tudo, tudo que é meu vai morrer agora.
Só assim nascerei outra vez, sem acúmulos de conhecimentos vãos. Percorrendo a vida que se abre à frente. Viver vento, é nisso que me alimento.
Achei um livro. Foi-me concedido por uma mão trêmula, mas segura.
Com toda a contradição que machuca, mas pertence.
Esse livro: uma transcrição de palestras de um indiano que já morreu.
Pensei um pouco mais, mas o livro aconselha o não pensar e eu preciso disso.
O pensar está vinculado à memória- diz o livro- é uma reação a ela.
A memória é a ação, o pensar, reação.
Consegui entender. Mas ainda mais, senti profundamente o que estava para além da palavra. Descarreguei as palavras, tirei um bocado de suas significações e membranas rígidas, retrógradas- descaracterizei-as. Permiti. Foram correndo como o vento, buscar novas temporárias moradas.
E foi um pássaro que cantou pro vento, no topo da árvore, no cume da montanha, dizendo:
Vai, homem, vai e vive.
E ele foi, ligeiro.
Achei a vida.
E agora escuto o vento a espancar a janela do décimo terceiro andar.
Chegou aqui. Veio rápido.
Como é linda a sinfonia do vento lambendo a janela ao querer passar.
Passa, vento.
Passa e segue seu caminho.
O vento não faz casa.
O vento é presente e vida pulsante.
Sacode todas as poeiras e segue seu caminho.
Vai, vento.
Vai e vive.
Passa e põe por terra todas as máscaras que insistimos em vestir.
Vem e vive comigo.
Me ensina, também, a ventar forte assim.
E vento, agora, eu.
E espanco as janelas de mim.
Atravesso, passo, saio, vou embora.
Vento não faz morada, é cigano e não pensa.
Como é bom ser vento assim!
Como é bom ventar por mim!
Vento que é vento venta pra tudo que é lado,
nunca fica parado, não deixa a poeira encostar no telhado.
Vento que passa, leva consigo o passado.
Deixa só o vazio, mudo, calado,
pra que se veja que corre o rio.
Vento vadio, não tem pudor, nem recato, não sabe o que é
bons-modos e economia, só passa e arrasta, deixando tudo em desacato,
criando uma nova harmonia.
E o vento assim, ventou pra mim,
dizendo que nada tem fim.
8 comentários:
Se não é fim,
pode ser começo...
o glória
palavras,palavras, sentimentos, vontades, mudanças e surpresas
sensaçoes.
afliçoes e fases fechando e outras abrindo.
todo fim tem um novo começo (cliche)
e entao;;;
sempre assim, transbordando intensidade...
Então você é Zilá Joana, a Flor?
Volte lá, para mostrar seu vídeo novamente e pra mais gente, se possível!
Ei Paula, desculpa a demora em te responder, é que eu ando numa fase em falta com o blog. Acho q é assim como vc disse, precisando de alguém para trocar, compartilhar, viajar... enfim. Estou precisando de um combustível gente! =D vou tentar te achar no orkut, depois msn e a gente conversa! Bjos flor
Eu precisei voltar correndo pra te dizer q vc promoveu seu primeiro milagre. vou postar e vc vai ler. espero q goste! Beijos
ahh sim, importante, meu nome é Carissa... rs o apelido é Cora. só pra vc saber qm ta te add no orkut!
Postar um comentário