O peito: ocupado pela angústia.
A cama: ocupada pelo vazio.
Me vi naquela cama vazia.
E ontem mesmo andava cheia...
Só que depois de tanto sonho, não acordei - nem vi acordo.
Vi o vento-sul, com seu jeito de macho, espancando a janela: vento de homem querendo entrar à força.
O vazio da cama falou do vazio daqui.
E, nos olhos do gato branco, senti.
As cores se encontram com as poeiras... em qualquer fresta, em qualquer buraco, no impenetrável.
Por sentir as borboletas que um dia rastejaram, se conjugam com as poeiras.
E eu me lembro da ocasião dos choros, dos prantos, dos soluços.
As borboletas sempre por perto, ainda que na dor, elas nada temem.
Iansã; Odoiá: Eparrei, minha mãe.
Me dê força!
De volta ao "mundo real", constato...
Não era nada disso, nem daquilo, nem daquilo outro...
Mas... o que seria, então?
E tudo continua em incógnita do sentir.
Incógnita do pensar...
Mesmo que haja muito agir, sem sentir, não há o que se fazer.
O pensar vem do sentir.
Ao menos, é assim que sinto.
E eu achava que certos pensamentos só se cultivavam aqui - nesse terreno fértil de fantasias, onde moro - mas vpcê disse que não, que seria te subestimar se não soubesse que vc também pensava sobre os pensamentos.
Embora, ande querendo não muito pensar.
Pensamentos...
São as borboletas que inda ontem perseguia em transe, tentando alcançar uma coisa qualquer.
Sobre o que não se diz... fica na terra, onde a semente um dia pode germinar.
Por ora, me acovardo em mais uma linha subentendida.
Ainda que "tudo" seja verbalizado, sempre há a entrelinha do sentido.
Do tempo de João, quando pouco se dizia; até o dia de Maria, quando tudo é soletrado.
Aqueles sonhos devem dizer mais.
E penso se não amo assim, tão profundamente, por isso...
Um comentário:
oxi oxi...
labirinto de pensamentos. paredes de sentenças e impressões...
como eu to nessa vibe de não pensar eu te desejo q desmache essas paredes e q o labirinto se transforme em jardim florido q só das flores q vc mais gosta
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