2 de jul. de 2009

C'est si bon

Uma dor nas costas de ficar tanto tempo encurvada.
Tempo que nunca é suficiente pra ler, buscar, entender dos sinais.
Mas se for o do trânsito da atriz- tá fechado: vermelho.
Não, não é isso que a gente quer. Não outra vez; nem uma mais.
O tempo, ser místico, abstrato, mitológico... e todo nosso velho escapismo desimpresso em código-morse, no jornal de anteontem.
A tal da vida... tanto se fala dela, parece até que se fala mais do que se vive.
Tipo uma idealização besta de quem sempre quer se aperfeiçoar mais e mais.
Mas, caramba, é tão ruim ser imperfeito, assim? E o humano?
Aí vem a Dona Vida, Grã- protagonista nossa, sempre a nos zombar da cara de pastel que espera pelo caldo.
A cana secou, meu amigo.
Espera a próxima safra.
Mas o que se sabe, afinal?
O que, verdadeiramente, mentes ditas sábias e sãs podem saber? E, se sabem, por que querem tanto?
Muitas cores passam despercebidas...
no fundo, no fundo, só se enxerga o preto e o branco e suas nuances, de qualquer jeito.
Então, onde mora a tua certeza, moça bem cuidada?
Onde mora tua certeza, rapaz inexpressivo?
Ainda mora?
Prefiro a amora, é bem mais gostosa que toda essa fatal fidelidade familiar.
Vejo a foto do teu nariz quebrado e não me recordo de nada que já virou.
Nem da página.
Vejo os dias - por ti - quebrados, flutuando nos fragmentos despejados da janela do carro teu.
E um dragão do passado - por mais ardente e peremptório animal- jamais será jasmim, nem colherá o fruto, ainda que amargo, daquele outonal ardor.
Ora, não se deve esperar nada - diria a sabedoria quase oritental de quem não entende e prega.
Talvez uma cabeça cortada... e toda a ocidental certeza de que somos o que fazemos.
"Aqui se colhe o que se planta", diz o dito/maldito da vovó.
Ah, mas quem foi que disse dessa suposição supersticiosa? De toda essa mística?
E essa exotérica fatalidade numérica? Quem? E se foi dito, não pode ser desdito?
E quebra-se, então, a maldição da alcova morta.
Nem é nada disso, nem nunca seria... se não fosse o que pudesse ser, ou, vir; talvez mesmo nem viesse, nem fosse...
Me mande um punhado de terra aí do seu quintal de ilusões - por aqui as coisas são muito acertadas, sabe? É bom de se enganar um pouco, talvez faça perder a certeza o lugar pra a dúvida. Quem sabe, né? Sempre vale tentar?
Ainda assim, por agora, só quero saber das flores.
Especialmente aquelas vermelhas que exalam o melhor dos perfumes e não se exibem vaidosas, apesar da bênção de todo o frescor matinal.
Dos bailes mascarados em que há muito o que se espreitar por detrás dos véus onde se escondem as damas misteriosas, as sacerdotisas plutônicas.
De toda a ludicidade que vem com a brisa se apresentar em meu jardim de borboletas a cada nova esquina virada.
Expande e contrai, num movimento inequívoco e estimulante: pulsa.
Vamos colher um sonho?
Já ando com um buquê enjarrado.
Se quer saber? Está vazio ao meu lado.
Se se esforçar...
E as tranças Rapunzel a jogar - num jorro de gozo vaidoso e rubro, que nem o sangue, que nem o râncor de ter ficado na torre, trancada .
E toda esse besteirol líquido, possivelmente ingerido com cautela, se transmutará em hábito; habito o teu, habito o meu - que de nada, tudo restou.

p.s.: evitem comentários do tipo: procure a pedra filosofal.
;)
C'est si bon

3 comentários:

Carla disse...

Srta Zilá Joana, a Flor,

Você não respira enquanto escreve, não é verdade? Porque não respiro enquanto leio aqui...

Carla disse...

As sacerdotisas plutônicas...

Anônimo disse...

Ia dizer que odeio, mas não seria verdade, nem reto ou correto, acho q o sentimento é mesmo pena, de toda essa gente sã e sábia q anda por aí, se achando sem se encontrar. Eu me encontro aqui, perdida num mar de divagações, que frustram essa maioria preto e branca que me rodeia nesse mundo cinza que eu contemplo com preguiça de pisar, ñ pq eu ñ posso, mas pq ñ quero, ñ me interessa. Em algum lugar deve haver alguém colorido, pra mim e pra vc. Esse é o sonho q eu quero colher.