27 de set. de 2009

Escrevo escrevendo

Escrevo de uma inquietação pulsante e sempre presente.
Pra libertar qualquer coisa contida, qualquer coisa bruta.
Escrevo com o imanente, sem pretensão ou vontade transcendental.
Em provocação.
Depois, escrevo pensando em alguém,  em várias pessoas, situações e, em determinado momento, misturo-as entre elas e comigo mesma, com fatos específicos e/ou inventados. Burlando, subvertendo, bulindo com as realidades.
Escrevo pra tentar quebrar, desconstruir, parar, prosseguir, resistir.
Escrevo pra que o tempo não devore e, para que depois do tempo, estejam por aí, em cantos, espalhados, os pedaços de palavras que farão, em algum momento, alguma intervenção- uma coisa outra, uma coisa nova.
Não escrevo em busca de respostas e verdades minhas/ ou universais, mas em tom questionador, espalhando dúvidas ao vento.
Escrevo do engano, escrevo e me engano. Não escrevo pra estar certa.  
Escrevo no encalce da justiça, embora tenho achado ela desnecessária, posto que se expressa de diversas maneiras conforme difrentes pontos de vista. Que justiça, afinal? De quem? Para quem?
Então, escrevo, pra me livrar de julgamentos - inclusive os meus - que fortes, sorrateiros e enganosos,  derrubam ao chão: sem mãos para  ajudar a erguer após o tombo.
Escrevo para pontuar, contrapor a esse "criticismo" em exercício da normalização, do Bem, da moralidade. (Para quê a manutenção de padrões que apenas limitam/delimitam?)
Escrevo sem propostas, saídas ou caminhos apontados. Cada qual que trate de achar o seu, suas próprias dúvidas e inquietações.
Escrevo,  ainda que sem jeito- e até mesmo por isso - e, faço da escrita janelas para o mundo, pontes, passagens, portas, encontros.
Escrevo porque considero. Escrevo e então reconsidero. Escrevo e desconsidero. Num exercício constante de recriação, de descristalização.
Escrevo sem concluir, sem terminar e determinar.
Escrevo em  aberto. Escrevo sobre os possíveis.  
Escrevo para amar - afetando e afetada sendo.
E, acima de tudo, escrevo sem medo de errar.
Errando.
Ciganeando as palavras, sentidos e tons.
Escrevo escrevendo.

2 comentários:

Carla disse...

É lindo "ciganear" palavras...

Vário do Andaraí disse...

“Ah! A Literatura, ou me mata ou me dá o que peço dela” ( Lima Barreto )

Ciganear palavras...Eita.

Abço