9 de out. de 2009

Sem medo

Pareceu-me, logo cedo, que o tempo estava dando um tempo.
Me quedei em sobreaviso, desde às 4 da manhã.
Ao longo do dia, a sensação de que as horas são ilusórias e que o tempo parou, de fato, não me sai do corpo.
Pois é no corpo que sinto o tempo.
É como se o tempo se mostrasse como é:
sem aquele predeterminismo capitalista que lhe acorrenta ao sistema de produção -
a aceleração impressa nos dias de hoje.
Quem mesmo tem tempo?
É corrente o uso de frases do tipo: "que correria!";
ou ainda: "ando muito sem tempo".
Nós, sujeitos passivos, nos envolvemos em sistemas dos quais nem sabemos fazer parte. 
E o que achamos ser tempo é uma Ordem.
Eu quero mesmo é reiventar o tempo.
Criar o meu próprio, de forma que não tenha funcionamento estabelecido por outros
e seja livre de objetividades cronológicas.
Brincar com o tempo. 
Como diria a dona Clarice Lispector:
"não vou apostar corrida comigo mesma."
E percebi que o tempo está mesmo dando um tempo.
(Reconsiderando as relações que estabeleceram com ele.
O papel que lhe impuseram.)
É, precisa sair da tutela do Cronos e assumir sua própria subjetividade.
Reinventar-se tempo.

Um comentário:

Carla disse...

ah, querida, mas exigências são tantas... esse feriado ainda foi possível fazer samba e amor até mais tarde mas, mesmo com muito sono de manhã, a tirania do tempo foi mais forte! (mas a gente escapa, a gente resiste...)