Era tempo de criar um tempo para falar do tempo. Que tempo seria esse que inventaria? Um outro tempo?
Era tempo de concentrar-se nas perguntas bem formuladas, de deixar-se levar pelo pensamento impensável, forçar-se a pensar, como aconselha Deleuze. Era tempo de parar de esperar o tempo certo e pensar que esse certo tempo seria construído e constituído ali, na própria escrita. O desafio ético, como diria Leila. Era tempo de deixar de lado os pensamentos incrustados nas fronhas e nos travesseiros, de lavar os travesseiros como se lavasse os próprios pensamentos, abrindo uma brecha, uma rachadura, um entremeio, espaço em que se liberaria um novo tempo, um novo pensamento-tempo.
Era tempo de não mais deixar pra depois, de inventar o pensamento como o intempestivo, de trazer à tona o devir que se expande em cada tempo por vir.
Era tempo de escrever, de contaminar-se pela escrita, mais e mais, de deixar o coletivo soltar suas vozes, de se unir a elas, construindo junto essas multiplicidades de forças que constituem o pensar.
Era tempo de pôr movimento em prática, entendendo que pensar é colocar uma matéria em movimento. De que matéria falava Deleuze? Era tempo de entender o pensamento como real e palpável, concreto: como um lápis.
E era tempo, também, de entregar-se mais a leitura, lendo e escrevendo, escrevendo e lendo. Construindo um tempo que não da lógica, nem da linearidade, mas sim da ética.
Era a biopotência do tempo, liberado de qualquer cronologia.
E, talvez, então seria ...
o Tempo dos Incorporais.
2 comentários:
Por tudo isso, entregue-se a essa dança "nos tempos". Esse tempo-presente; que te traz perguntas, escrita e leituras, inspira-ação-e-movimento. Ouça Caetano! músicas plásticas, arte-invento.
Já faz muito tempo não é?
Eu adoro pensar que pra tudo existe um tempo, que cada coisa tem sua hora, sem deixar pra depois, nem obrigar-se a nada. O fluir é típico do tempo. Me fez pensar, amei!
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