14 de jun. de 2010

Entre eles

Ela

Estava quase certo, como quase tudo...
Entre eles, uma alguma coisa sempre crescia.
Silenciosamente, outra, não dita, se ocultava, cambiante, de tanta incerteza acumulada no instante...

Ele

Estremecidos, permeados de paixão. São eles: como o touro e a rosa, o pão e a fome.
Alvoroçados, em eclipses de sol e lua, talham seu rastro na madeira do tempo, e as trombetas dos anjos de nova orleans, simplesmente, não queriam parar de tocar.

Ela

Na embriaguês calva de tuas esperas, sacudia a melancolia, tragando doses de um amor no pé. Um descaminho, rota incerta que levava a tantas quantas possíveis instabilidades.
No entanto, um caminho, ainda assim torto, descompassado, por vezes, atado.
No olho do tolo, do ouro sorveu desassossegos segredados em versos e canções, era tarde, sim, sabia, e em outras vozes, lhe dizia tudo que não pôde dizer com a sua.

Ele


A saber, nada era conhecido, comum, esperado; e era em tom de eterna aventura que soavam seus passos na dança dos trilhos do porvir. Sonhos emprestavam sua matéria para as obras do concreto.
Nas curvas de um corpo, se curvavam desejos, e a claridade de sua pele refletia o brilho de olhares cândidos. Num rio chamado eternidade, era onde não queria deixar nunca de remar

Ela

Em meio a águas turvas e cristalinas, alternavam-se emoções como em um barco à deriva. Por um tempo pensaram que haviam perdido os remos, mas sempre estiveram ali, foi um pequeno descuido que não permitiu que eles fossem vistos. Mas agora, navegar em tais águas se torna ainda mais divertido já que se pode remar. Pensavam nas borboletas oceânicas, posto que este rio, já já desaguará na imensisão misteriosa do mar.

Se desejavam tão impunemente, assim ao sol do meio-dia. Eram como as flores que brotam no asfalto, nada pode impedi-las de viver. Eram como um amor de anjos, mas não anjos assexuados, uma mistura insensata de anjos e diabos, um paradoxo, outro descontrole deles. E viam coisas-cores; no gozo, ao término, ela sempre dizia das cores que lhe invadiam inteira, enquanto ele auscultava melodias em cada chão.

Carregava o peso e a leveza da transmutação no pescoço, era sua pequenina bússola, coisa dela, coisa deles. Eram cheios de coisas, coisas que inventavam, coisas que carregavam, coisas cantadas, pintadas, lidas. Como nutriam uma paixão pelo mundo das coisas.
Entre eles o universo se dissolve e desfaz, para, então, nascer de novo, outro, virgem de qualquer desengano, de qualquer dada coisa. Qualquer coisa que fosse, seria primeira, como nunca antes havia sido.

E isso costuma acontecer...


entre eles...

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