6 de jul. de 2010

embaraço

Tentava fazer algo novo. Novo de novo, como na música.
Mas até o novo era de novo.
E uma vez mais, igual.
Então o que seria genuinamente novo?
Haveria espaço para um novo, que não fosse de novo?
E se fosse, seria o mesmo? ou talvez um outro se insinuando?
Cansava-se das coisas que cansam. Como aquelas que a gente sempre reclama e fala, mas que continuam iguais...
Sempre e tão: a mesma coisa!
E até ela era a mesma, nesse papel insensato de querer ser outra, não estaria sempre se repetindo?
A casa continuava bagunçada, mais além: a vida.
As bananas estragaram, os morangos mofaram...
Ele continuava no mesmo ponto: parado.
E ela já não sabia de nada, como de costume.
Se emparelhava neurótica em cada canto obscuro das pegadas...
pegadas ocultas, jogadas ao vento...
como segui-las?
Antes seria outra a pergunta: para quê, ainda?
Agora sentia que é de rio que voava... imersão e sonho, inconsciente e liberdade, grito e distância.
Precisava fugir um pouco, do que já se configurava em uma certa realidade.
Precisava de borboletas, um ramo delas.
e então poderia ir carregada, pequena princesa, para bem longe de todos os enfrentamentos.
...

4 comentários:

maria carol disse...

Embaraço de rio que voa, menina, já traz novidade nas ventas! Mesmo fugindo da gente mesma, sempre e tão, encontramos borboletas!!! Ramo delas... Reclame e fale, sempre que precisares, pra não perder o 'cortume'... que liberdade, grito e distância, vez em outra, são necessárias... Como na música, querida. Voemos!

Jaia disse...

Lily é esse ramo de borboletas que já bate asas aí. Lily é esse descanso de princesa que ela almeja, só num por-enquanto.

Dauri Batisti disse...

Por entre-flores caí aqui nesse impacto de vermelhos, rubedos e suas derivações. Vou seguir pelo entre-tempo entretendo-me lendo, lendo sem pressa...

beijo

maria carol disse...

Este é do Dauri.

http://essapalavra.blogspot.com/