E agora começava a sentir piedade.
Em primeiro lugar, de si mesma; em segundo, do mundo; depois, de tudo.
Mas não se tratava de uma piedade-pena, mas de uma piedade-revolta.
Não conseguia distinguir uma coisa da outra, elas se atravessavam de uma tal forma que uma virava a outra: como facetas de uma mesma moeda.
Precisava, desesperadamente, sentir o movimento.
Não conseguia suportar aquela sensação de paralisia inerte que a tomava nesses dias quase frios, quase quentes.
Nada se definia.
Nem o clima, nem as pessoas, nem as coisas, nem os acontecimentos. Como se o mundo, naquele instante de extrema agonia, estivesse todo em suspensão. Não havia manifestações, não havia dor, nem alegria, nem ódio, nem nada. Só tédio, tédio e paralisia, tédio e gesso, tédio e ócio mal vivido.
Nesses breves instantes eternos, ao mesmo tempo, algo se insinuava quase despercebido, embora aparente. Do mesmo lado, caminhavam: paralisia e movimento - numa dança sem cadência...
hesitar e seguir... sim e não, não e sim...
Sem perceber, uma certa coisa semelhante à cólera a tomava, tomava de súbito, de supetão; se sacodia doida, enfurecida. Uma música que em toda altura, acompanhava seu novo ritmo conquistado tão repentinamente, esse outro pulsar que brotava.
Não uma música colocada com um tal fim, mas uma música da vida, uma musicalidade das sensações.
Dessa música que está aqui agora; aí, ontem, hoje, amanhã... sempre a passar.
Essa música que sentimos, que nos toca, nos roça, por vezes sutilmente; nos toma absolutamente, em outras ocasiões.
Ocasião como esta, em que se sentia inteiramente desconectada e, ao mesmo tempo, estranhamente conectada.
A dor agônica que emergia do mundo, nela, vinha dessa dupla potência sempre em andamento. Assim se manifestava: não podia sentir só raiva, ou só calma. As coisas não eram excludentes, mas somatórias.
Como se tudo revelasse, insistentemente, mais que seu avesso -seu outro lado, sua outra potência.
Quase como se, de repente, por pequeninos instantes, distraidamente, as coisas parassem de se opor por serem diversas, mas passassem a se compor em sua diferença.
Essa era a grande rebeldia invisível do tempo.
E era esse tipo de sensação que lhe agoniava o peito.
Porque se sentia presa entre as possibilidades. Presa no entre, sem poder, de fato, tomar uma postura, uma decisão; definir -se de algum modo. Porque ela mesma, nestas condições, estava em suspensão. Isso lhe incomodava, ao mesmo tempo, lhe causava bons arrepios.
Seus sentidos, suas compreensões, tudo se esgueirava suavemente por este limiar, por esta via limítrofe entre um e outro, entre as coisas. E ainda que discordasse de tudo, concordava quase negligentemente, acedia às duas vias. Quase como santa, quase como louca, quase como submissa, quase como rebelde.
hesitar e seguir... sim e não, não e sim...
Sem perceber, uma certa coisa semelhante à cólera a tomava, tomava de súbito, de supetão; se sacodia doida, enfurecida. Uma música que em toda altura, acompanhava seu novo ritmo conquistado tão repentinamente, esse outro pulsar que brotava.
Não uma música colocada com um tal fim, mas uma música da vida, uma musicalidade das sensações.
Dessa música que está aqui agora; aí, ontem, hoje, amanhã... sempre a passar.
Essa música que sentimos, que nos toca, nos roça, por vezes sutilmente; nos toma absolutamente, em outras ocasiões.
Ocasião como esta, em que se sentia inteiramente desconectada e, ao mesmo tempo, estranhamente conectada.
A dor agônica que emergia do mundo, nela, vinha dessa dupla potência sempre em andamento. Assim se manifestava: não podia sentir só raiva, ou só calma. As coisas não eram excludentes, mas somatórias.
Como se tudo revelasse, insistentemente, mais que seu avesso -seu outro lado, sua outra potência.
Quase como se, de repente, por pequeninos instantes, distraidamente, as coisas parassem de se opor por serem diversas, mas passassem a se compor em sua diferença.
Essa era a grande rebeldia invisível do tempo.
E era esse tipo de sensação que lhe agoniava o peito.
Porque se sentia presa entre as possibilidades. Presa no entre, sem poder, de fato, tomar uma postura, uma decisão; definir -se de algum modo. Porque ela mesma, nestas condições, estava em suspensão. Isso lhe incomodava, ao mesmo tempo, lhe causava bons arrepios.
Seus sentidos, suas compreensões, tudo se esgueirava suavemente por este limiar, por esta via limítrofe entre um e outro, entre as coisas. E ainda que discordasse de tudo, concordava quase negligentemente, acedia às duas vias. Quase como santa, quase como louca, quase como submissa, quase como rebelde.
E era, então, daí que surgia seu pranto, seu ódio, seu amor.
Dessa falta repleta. Desse acúmulo de faltas. Desse vão cheio de nada. Desse nada cheio de tudo.
De si mesma tão cheia, de si mesma tão vazia.
Dessa falta repleta. Desse acúmulo de faltas. Desse vão cheio de nada. Desse nada cheio de tudo.
De si mesma tão cheia, de si mesma tão vazia.
Sem fim, sem ponto,
Só...
infinitamente...
reticente...
Um comentário:
é porque sangra. sei que sangra. ou sangra aqui, né? aí eu acredito que sangra aí. o inevitável é isso: que a violência existe e , existindo, é preciso que façamos dela um grito. esse grito que você faz. essa piedade. essa melodia. eu ouvi a violência esses dias. eu ouvi.
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