25 de fev. de 2011

querida

Fui correndo ao seu encontro, recorri aos meus últimos suspiros, joguei de lado aquele cansaço velho, e avancei ansiosa por ver o que teria  reservado para mim.
Não fiquei surpresa com a surpresa, suas palavras sempre me surpreendem, então a surpresa não foi uma surpresa, mas uma confirmação, uma potencialização de nossos desejos, desejos de mundo, de vida, de fome, de escrita.
A criança chora,  e é da criança chorar, a mãe chora junto e é da mãe chorar, o pai ri e é do pai sorrir.
A gente segue, e é da gente seguir.
Tive um encontro hoje pela manhã, bom e suave como uma brisa que trouxe boas notícias: existe uma nova vida vindo, uma nova semente brotando num ventre querido, amigo, mãe de uma flor de lis.
Isso me deu forças de uma forma interessante - força de roforço, sabe?
Sei que sabe -  é de você saber das coisas - e como está linda com estes teus olhos de mata, floresta amazônica.
Foi bom te ver, estar perto do perto, junto do junto, perto de tudo que carregamos e de tudo que deixamos,
me sinto assim quando me olhas profundamente e dizes:


estás cansada, posso ver...

e meu cansaço se torna ternura e força!
e sigo, respirando mais firme, mais consciente, mais forte...

e sua carta vira sangue, sangue de transfusão, da terra que clama por um sempre mais, por vida, por viver, por berrar, gargalhar: selvagem, como ele, o pequeno e essa sede nossa de grande dia, do momento preciso, exato e eterno.

saudades,


aguardo suas novas cartas, sempre ansiosa


amor,


Hipólita

Um comentário:

Polímnia disse...

Ler você e essas pequenas vontades. "é da mãe chorar"... e também sorrir e também acariciar e também escrever. é da mãe parir poesia.

em breve terá nova carta. e um encontro na praia?