3 de jul. de 2011

uma cartinha para Jaia

E uma vez mais sentia aquela coceira ao se deitar, parecia coisa esquisita, de não se poder nem dizer o quê...
ô droga, lá vem a coceira, de novo. Comichão do tempo que passa pela pele.
Passa e arrasta alguma coisa; talvez uma marcha batida de carnaval ao longe, talvez um cachorro latindo esganiçado, talvez nada, talvez tudo, talvez você e sua feição doce, doçura que esconde serpentes e vacas. Que seja a vaca profana, pondo teus cornos abaixo e acima da manada. Que desvencilhe-se um tanto dos normais e busque fechar a janela feito louca ou feito santa. E que possamos dizer de cosias tolas, como: é tão bom jogar boliche, especialmente quando nada se sabe disso.
Na verdade,  nem sabia escrever direito, então ficava assim inventando acontecimentos, buscando sensações aqui e ali, lançando sua vara para ver se vinha algum peixe... o que viesse, naquela altura, era lucro.
Boba. Boba e criança. Como era criança! e como era bom brincar com tudo!
A tarde cai, o dia se despede lentamente, filho e marido dormem, enquanto ela brinca de escrever alguma coisa para alguém, uma carta para Jaia, minha querida Jaia. Jaia que escreve lindo que nem a mais nefasta pecadora, a mais pura santa.
Ela, no entanto, só dava de ser assim: sem nexo, sem eira, nem beira.
Porque o cachorrinho na rua era bonito quando ela passeou sem sentido, andando à toa.
Lembrou de ti, a Jaia e sua mata verde,  lembrou de ligar e conversar sobre ontem, mas não ligou.
É que certas horas as conversas são feitas de outros modos...
a fala, tenho a incrível sensação, cansa um tanto...
pudéssemos nós não dizer por uns tempos, pudéssemos cantar ao invés de falar, ou brincar, ou ler os pensamentos que seriam dirigidos para tal e qual pessoa, sem invadir a privacidade de ninguém, mas poupando-nos um pouco de verbalizar, talvez, talvez, não seria interessante?

o que acha, querida?

2 comentários:

Anônimo disse...

As coisas são mais bonitas quando a gente vivência mais do que tenta dar sentidoa elas.
Bom passar por aqui.

Carla Jaia disse...

Saudades e carta nova!