26 de fev. de 2007

Metáforas do amor efêmero


Nome da pessoa amada sempre é doce, sempre vem como uma lembrança boa à memória...

Naquela tarde ela havia trabalhado muito, o dia já estava escurecendo e o céu relampejando, ela andava pela rua distraída no caminho de volta ao set. Nas calçadas abarrotadas de tudo quanto é tipo de gente, ela se espremia safa com uma agilidade impressionante. A chuva começou a cair, grossa, extremamente grossa... As pessoas corriam, buscavam abrigo, aglomeravam-se embaixo da marquise. Ela entrou num sebo, parecia mais interessante, já que teria que ficar um bom tempo ali até a chuva passar. Foi à seção de filmes antigos, tinha umas boas relíquias em VHS, tava lá vasculhando, garimpando, qdo sentiu alguém puxar com ela a mesma fita. Os dois se olharam, até então um não tinha percebido a presença do outro, mas no instante em que seus olhos se cruzaram, como não podia deixar de ser, se sentiram profundamente atraídos um pelo outro. Começou o bate-papo:

- Nossa, esse filme é fantástico. (disse ela)

- É, é um dos meus favoritos. Você vai levar?

- Não, pode levar... eu prefiro esse outro.

- Não, leva, vc pegou primeiro.

- Não, quê isso, leva vc, afinal é o seu favorito.

- Tá, tá bom. Como cê chama?

- Paixão. Vc?

- Loucura.

- Prazer.

- Prazer é o meu.

- Sempre quis conhecer alguém como vc.

- Recíproca é a mesma.

- Quer ser figurante do meu filme?

- Não, só aceito ser protagonista.

- Mas eu já tenho uma história definida, não tem como te encaixar, só na figuração mesmo.

- Não quero saber. Se vira, p/ mim não existem limites. Só quero intensidade. (disse ele)

Ela suspirou, sempre sonhara com um homem assim. Agora que ele estava ali o que podia dar errado? E disse:

- Olha, não sei, é um trabalho em conjunto, tenho que falar com a equipe. Por mim vc tava dentro, por mim eu mudava a história, mas não depende só de mim.

- Já vi esse filme. Não me vende esse peixe. (pequena pausa) Deixa eu te perguntar, eu acabei de chegar na cidade, tou hospedado na cidade vizinha. Vc sabe de algum lugar por aqui pra eu passar a noite?

Ela não acredita no que ouve. Ele está realmente interessado. Como pode? De repente o homem que sempre sonhou cai de pára-quedas em sua frente e assim tão acessível?! Ui...

- Sei sim, posso te levar lá agora, se quiser...

- Vamos esperar a chuva estiar.

- Vc é de onde?

- Sou mineiro, de BH, mas moro em SP.

- Nossa... e pq foi pra lá? Sempre tive um pouco de medo de SP.

- Ah, eu gosto. E profissionalmente é melhor.

- É, realmente.

- Quantos filmes vc já fez?

- Dirigi 25 curtas e trabalhei como assistência de direção, produção, faz tudo.

- Poxa, q legal. Nunca fiz nenhum, esse é o primeiro. E ainda em conjunto.

- ah, mas começa assim mesmo. É uma boa experiência.

- é, acho que sim. Veio pro festival?

- vim, o Experiente me chamou.

- Am... vc é amigo dele, né?

- Já fui assistente 3.

- Deve ter sido ótimo.

- Foi, foi sim.

- bem, estiou. Vamos?

- Vamos!

No meio do caminho ela, que não é de falar muito, não fechou a boca. O nervosismo por estar ali do lado do -Homem da sua Vida? – a deixou excitada, elétrica e nervosa. Toda vez q fala muito é pq está nervosa; um disfarce, mais uma máscara. Ele a observava, falou muito menos, claro, ela não dava espaço. Mas existia algo mais forte q os unia, ao menos naquele momento. Chegaram no local, ela foi negociar com a velhinha rabugenta, dona da pousada, pra q arrumasse um cantinho pro seu amado. Claro q ela não contou isso à velhinha, nem a ele. Tinha q se fazer de difícil, de durona. Ele confiou nela, acho q foi uma maneira ardilosa de enredá-la em seus braços. Ela conseguiu um quarto. Não sei se eles já sabiam, mas naquela noite os dois mal dormiriam. Naquele mesmo lugar as paredes estremeceriam. Voltaram p/ as filmagens. O Loucura procurou o Experiente. A Paixão procurou seus amigos. Não demorou nem cinco minutos e Loucura foi atrás de Paixão que também não estava lá tõ atenta aos amigos, algo maior os unia. Dessa vez com outra desculpa, Loucura falou em tom intimista, bem pretinho do seu ouvido:

- Vc consegue um beque pra gente?

- O pessoal acabou de ir fumar. Quer ir? Vamos lá.

- Vamos sim.

E foram. E foi nesse momento que as coisas ficaram ainda mais claras. Depois de algumas tragadas e da substância fazer efeito, começou-se a falar de signos.

Paixão:

- Qual é seu signo?

Loucura:

- Áries.

Paixão:

Hum... Áries? Gosto muito de Áries.

- é? Pq?

- ah, pq o ariano é aventureiro, destemido, um líder nato, impulsivo...

Ele ia se aproximando dela conforme ela acrescia um adjetivo às muitas qualidades do signo. A cada passo q ele dava p/ frente, ela dava um p/ trás. Acho que estava com medo, acho que foi a maconha.

- Fala mais de Áries...

- ah, (nervosa, quase suando frio) Áries é forte, tem garra, além de ser muito atraente- (pronto, deu a deixa).

Nesse momento ele tacou um beijo avassalador em sua boca e os dois não se desgrudaram por pelo menos 5 minutos. Depois disso, ficaram juntos noite adentro. Houve uma química muito forte entre ambos, como um ímã. Ficaram um pouco mais no set e foram pro quartinho designado por ela. Lá dentro, o q foi feito, dito e urrado, não pode nem deve ser mencionado. Só aos deuses é permitido tal acesso, tal voyerismo. Daquele dia deve-se dizer que foi único, inesquecível. Afinal, não é sempre que a Loucura e a Paixão fumam um beque, bebem uma cerveja e vão pra cama fazer tudo aquilo que o diabo gosta.

2 comentários:

Babs disse...

Que entrega heim? Hehehe... Bjos

Odradek disse...

KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
Ô divina!...Que maneira gostosa de contar!
Amiga ainda bem que eu vi um pouquinho disso tudo, senão não sei se acreditaria....
Fofa!Vc merecçe que aconteça dezenas de vezes, com dezenas de váriações que lhe aprazer...