
Expurguei, finalmente, você da minha carne.
De ti nada tenho mais, nenhum resquício - nem distante – ficou.
Era o seu cheiro, aquele cheiro purulento, que me viciava.
Era a sua consistência, aquela carne podre, que eu consumia.
Um dia vi tudo como devia ser, o oposto do avesso em que eu vivia.
Expurguei você de minha vida, de meus planos e descaminhos.
Em meu corpo restou apenas um pequeno buraco, que logo logo se fechará.
Você se foi, se foi como um carnegão, um tumor que só doía, só causava repulsa e males.
Como um carnegão, você foi extirpado de mim, definitivamente.
Expurguei você de meus sonhos e pensamentos e, assim, dei espaço para as coisas boas da vida.
Sem ti pude enxergar o arco-íris, pude ver a transmutação da lagarta em borboleta.
Sem ti, agora sim, senti o que é o amor. LIVRE.
Expurguei essa prisão de minha vida, essa prisão que vinha anexada a tudo que era você.
Você, alguém que um dia venerei, e hoje, hoje, não passa de um carnegão.
Um carnegão que teve como destino o lixo, o lixo que fica embaixo da pia do banheiro.
E por ele/ você, não tenho nojo, nem desprezo, apenas me agrada o fato de estar longe, separado de mim.
Eu quis te expulsar, você queria sair, em acordo mútuo nos ajudamos. Livramo-nos um do outro.
Agora estou eu aqui, sem carnegão, e você perto de tudo que se lhe assemelha.
Digo, sem remorso: adeus, meu querido carnegão.
Você que ficou tanto tempo dentro de mim, você que se confundia comigo, hoje está à parte; não passa de um desconhecido.
2 comentários:
Como � bom arrancar esses carneg�es!!!!
O pior � quando n�o os percebemos... mas o melhor � extirp�-los!
Nó, você espremeu mesmo um funrunculão heim?
Não se preocupe, furúnculos são como biscoito, dá tchau para um e vem mais oito!!!A fila anda!!!
Bjos
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