19 de nov. de 2007

de Zilá


Ando perdida, vagando.
Entre o limiar de uma coisa e outra.
Entre o bem-querer e a apatia.
Meu espírito voa, mas não vai tão longe.
Está preso. Preso a conceitos e idéias elaboradas.
Preso a coisas que devem ficar pra trás.
Meu caminho é inseguro, não tenho destino certo.
Estou à deriva, de braços abertos pro acaso; sem opção.
Quisera que ele viesse como uma suave brisa,
ou como um doce caseiro, que acalenta em momentos tristes.
Sei que caminho para a fatalidade, seria improvável o acaso se apresentar assim.
Sinto o sangue que se aproxima, seu cheiro acre já me perturba os sentidos.
Não sei o que fazer, que atitude tomar ou como lidar com a vida.
Ela me consome. Me sinto fraca e abatida. Sem esperanças, sem apoio, solitária.
Meu descaminho é o desassossego de me saber eternamente incompreendida na frente do espelho.
Queria morrer, acabar logo com isso. A morte liberta.
Mas ninguém acredita.
Ninguém entende.
Não consigo seguir sem exclamações felizes. Minhas exclamações têm sido de pesares ocultos.
As suspeitas rondam minhas convicções. A incerteza se faz rainha.
O cheiro da morte é cada vez mais forte.
E eu...
Eu nem sei.
Alguém não entende.
Estou incomunicável.
Sofro do mal da incomunicabilidade.
Uma palavra torta destoa todo o sentido.
O sentimento se esvai e dá lugar ao rancor.
A mágoa se coroa imperatriz.
E assim segue a vida, entre um e outro copo de bebida, tentamos nos distrair.
Se isso é ilusão?
Acho que não tenho dúvidas.
E vivemos todos num castelo de ilusões, onde nós mesmos somos os arquitetos
e os mestres-de-obra.
Muito me foi arrancado.
E ainda tenho tanto pra dar.
Essa realidade me corrói.
Não sei quem sou e o quê.
Queria ser um bicho, um bicho desses selvagens, no meio das matas.
Sem consciência aparente.
Queria não pensar.
Não esperar.
Não mais sofrer.
Mas a dor está em tudo.
Tenho tentado me adaptar a ela.
Será que sou diferente?
Sinto de forma diferente?
Mais estúpida e mais intensa?
Ou talvez menos resignada?
Não sei.
Sei que a vida segue.
E sei que tenho medo do futuro.

Zilá.

4 comentários:

Vini, Vi e Venci disse...

Essa angústia parece perseguir-nos...
Estar perdido é estar sem foco.
É necessário achar um foco.
Nem que você invente um.
Invente um e vá nele.
E quando eu digo "vá nele" eu quero dizer "vá meeeesmoooo".
E aí você vai perceber que ele é tão real quanto sua angústia, pois ambos foram criados no mesmo lugar.

Paula Zilá disse...

É, passarei isso pra Zilá, embora o caso dela seja mais complicado.
Ela está presa, no preísidio, acusada de homicídio.
Ih... rimou, rima pobre e sem graça, mas rimou...
vai p/ chapada comigo?
beijo, amor

Odradek disse...

Suspiro...
Te entendo Zilá.

E penso que devíamos fazer um trato.Escrever um manifesto e tentar seguí-lo religiosamente.assim como um grupo de artistas engajados em um movimento, tentando instaurar uma nova ordem, a princípio em si mesmos.E seguir.Como uma bula para não repetir velhos erros, que nos levam aos resultados previsíveis.
Quebrar o ciclo que parece nos prender.
Tomar as rédeas.
No manifesto devería conter as regras de conduta para nos tornarmos o que queremos ser.
Acho que talvez desse certo...
Beijo,abraço e comunicabilidade.

Babs disse...

Zilá, tu pareces uma baiana vendendo cocada ali na esquina...