Holanda chamou.
Pensei, pensei, pensei, disse que ia.
Passei na padaria, levei uns agrados.
À tarde fui ter com as borboletas,
conversamos horas a fio.
Holanda chamou o meu nome.
Falei que era bobagem.
Holanda retrucou.
Eu disse:
Bobagem!
Parte II
De manhã tudo fica mais claro.
Pensei que tivesse sido,
já não tenho certeza.
Liguei pro João ontem.
Ele nem atendeu, nem nada.
Fiquei inquieta.
O que será, João?
A paranóia me ataca nessas horas de João.
Parte III
Vi o rosto gentil das lagartas,
aquela aparência complacente
de devota revolução.
E agora, que tudo tá tão blasé?
Sinto pânico da discrição.
Hoje faço festa, danço, canto.
Acabo de fazer anos,
alguns mais.
Menos é solidão.
Parte IV
Fico feliz com seus enigmas
de olho.
Esses olhos verde-azulados,
diferentes dos meus,
iguais ao do pai,
fico feliz.
Ai!
Quando voltam
esses olhinhos,
a pousar
por estas minhas paragens?
Parte V
Tenho ventre que nasce na vertigem .
Disco voador me enleva.
Nem sei, nem nada.
Mas o que será mesmo?
Fui abduzida por teus olhos.
*(Esses olhinhos)*
Abduzida de mim.
E agora, João?
João e seus dourados
cachos de jamelão.
João, eu sou ímpar.
Ímpar par
ímpar par
ímpar par.
Quer dançar?
Parte VI
Te espero às nove, na quebrada da noite.
Onde o sol já não toca, onde tudo vira giz
e você desemboca no meu turvado coração.
4 comentários:
Todas as partes
fazem parte.
Em que todo
anda esse pensamento?
Lindo, lindo, lindo, Zilá! Gostei muito...da leveza, da forma como diz, como se estivesse divagando e falando sozinha, bem baixinho, por entre vielas de um lugar bonito, pra ninguém ouvir...este é pra se sentir.
beijos
Agora tu estás entre os meus. E fico contente de estar entre os teus...Fico toda boba de já ter uma "leitora assídua". Aguarde, o próximo está perto. Me passa o link dos blogs que falou...e pode espalhar o meu por aí tb, como prosa/poesia ao vento... Doce Zilá!
coisa boa essas coisas q faz a gente sentir coisas boas!
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