Era outono, e já não se regressava como antigamente.
Aquele sopro, e uma contenção dissonante enchia-lhe o peito.
Era inverno, mas ela mascarava de outono.
Um aperto, um abraço, um zelo.
Era linda, e também muito espirituosa,
mas cultivava o nefasto costume de se maltratar.
Costumava sentir de longe o trauma das relações próximas,
e fatalmente imediatistas. Sístole.
a cada momento, novo e velho, distante e de perto,
via as coisas, de uma forma não coisificante, mas com um ameno
calor no peito, o suficiente pra lhe plantar aquela hedionda sensação
esperançosa.
Era feliz. Como poucos. E sim, o sabia.
Os diálogos que criava com a vida, com os passantes,
com os cavalos, com o mato, com os orixás e com tudo que a cercasse-
não fazia diferenciação entre seres - deixavam-na com uma sensação
ensandecida de ubiqüidade.
Era petulante! Mas sabia ver as cores mais belas de todas as tonalidades acinzentadas.
Sabia sugar o mais singelo de toda a feiúra, o mais denso de qualquer superficialidade.
Era doida e megalomaníaca.
Mas tinha muito amor no peito para ofertar.
Era a busca de si a cada instante, a cada suspiro, a cada tropeço.
Era a estação.
E estava lá presa na inconstância.
Solta no vento.
Era preta. E todos a chamavam de flor.
Era sombra. E todos se aconchegavam.
Era Zilá.
E poucos sabiam disso.
2 comentários:
Lindo Zilá! Lindo, flor!
Lindas tuas palavras!
Já admiro teu ser!
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