22 de set. de 2008

morre estrela virtual mascarada de sombra rígida

"Não sei!"
Expressão digna, cunhada com certa dose de neo-realismo.
Ontem mesmo, quando contávamos as borboletas no céu,
disse que era assim que as coisas iam...
uma de cada vez, ritmos sincopados...
todas em seus momentos rainhas, celebrando, gloriosas,
a cisão explícita entre governantes parceiros e súditos.

Foi estranho, logo cedo, a picada da abelha.
Isso poderia ter sido tomado como um sinal...
e talvez uma decisão devesse tomar forma,
estrutura...
ser tomada.
De acordo com a picada, as coisas não têm tanto tempo.
Acontecem.

E virar concreta?
"Diga não!"
Sussurava uma voz amada ao pé do ouvido...
não sabia, ainda, dizer essa simples palavra...
tão curta...
e tão eminente.
por ora, a substituía por outras duas: não sei.

Era cinza, agora, mas podia se tonar mais forte aquele azul...
o céu de nossas esperanças...
fazia tempo que não chovia assim...
e tempo que não via tanto os amigos.
Todos bem, com pequenos ou remediáveis conflitos...

nesse rumo, nem sabia ao certo qual seria a cor...
e se a aurora viria serena ou contrastante.
Era bege, bege os nossos sentidos coca-cola.
E uma postura nova se desenhava...
um dia saberia levar aquilo ao pé!
E nem precisava tanto de letra.
No telefone, a resolver questões até às 4 da manhã...
e nada mais...
tudo pontuado, jogado ao explícito.
toma na cara:
"você acreditou na mudança...pensa que ele virou budista? continua sendo o mesmo filho da..."
se deu mal...
pessismo adversário, imanente, chove sobre nossos caracóis.
eu, de rosa choque, paraliso com novas afirmações.

nada mais diferente, a partir de então.
O agora era bege.
E assim, decidiu-se por acabar com vestígios de psicodelia.
o universo seria mais pragmático.
assim como a contabilidade de seus calos.
deixou de lado aquelas tais fantasias...
e agarrou-se aos fatos.
não dava mais pra entrar no mesmo ciclo vicioso.
era o que diziam...
já se convencia do mesmo.
De qualquer forma, onde isso levaria, anyway?
No place to go.
Just inside.
Eu quase encarei de novo.
havia esquecido de tudo,
mas...
disseram que tudo anda como antes no país do teu carnaval.
Foi mal.
agora, a partir, só dá pra ser o que toca na pele.
morre, então, a estrela virtual coroada de sombra.

Acabou-se tudo.
E assim seria melhor.
O que quer que tivesse que ser...
teria uma única e primeria coisa como baliza:
coragem!
Assumir-se.
Isso é:
condição.
Sine qua non.
do que quer que fosse...
onde quer que fosse...
e qualquer humanidade...
nada mais seria que a abelha.
e sua doída, mas franca picada.
no fim das contas,
valem mais as conversas em que podemos olhar bem no fundo dos olhos.
sem tela, sem jogo, sem espera.
simples e sincero,
como tudo que gosto.

3 comentários:

Anônimo disse...

Mascaras não há para cobrir qualquer que seja o homem. Ser humano. Humano de um ser que tanto faz.
A felicidade jamais deve ser limitada em formas. Lábios ou olhares. Humano é o que se limita na imagem que se cria de um passo sequer tentado.
Quando o epílogo ainda seria lido, Linhas flutuavam em outros ares. Mundos talvez.
E nada mais existe além de mensagens de que não estaremos disponiveis por este endereço virtual.
Lamento? Não sei... Não sei até que ponto demais humanos passaram a ser humanos. E sim... enquanto falava e tinha a certeza de que vc estava ali sem um rosto sequer... não era sobre imaginar ou não pessoalidades. O Impessoal. O Subjetivo. O Vasto terreno sem sequer uma cerca... sem um lote demarcado, sem um titulo!

Anônimo disse...

Percorri meus dias... meses, um a um.
Não tinha visto as indagações... exclamações... Verbetes e tão pouco aqueles comentários pertinentes a cada um dos poucos por enquanto e descobertos textos de um qualquer... humano (sem dúvidas, se isso lhe ocasiona alguma..)
Teria sido um segundo sem que eu tivesse me dado conta de que não... não haveria um sequer leitor, senão eu mesmo. E agora? 2?
Ou milhões, quem sabe!
Era apenas uma forma de fazer com que abrisse a porta e visse a sombra, mas não o rosto que pouco importa.
Talvez tenha sido eu que lhe entreguei o seu troco na padaria onde estiveste hoje pela manha... Ou eu esteja dirigindo o carro que buzinou quando vc, atravessou correndo aquela rua.
Ou apenas um alguém que viaja por segundos em uma fração deles, para trazer-te boas vindas ao antigo continente...

Anônimo disse...

imaginei estar lidando com uma pessoa que vc soubesse quem seria antes de ser eu... mero humano..