Ligação finalizada.
esse anúncio foi o sinal de que chegou mesmo a ocorrer certa coisa.
Curioso, qualquer hora da noite, por volta da hora meia da noite,
toca o telefone móvel, fantasiado de esperança azul, toca, toca, atendo:
Trilha: voz de locutora de jornal e uma certa respiração.
Eu: Alô?
trezentos mil alôs... e nada. Poderia ser engano, mas algo me diz
que foi humano e nada mais.
sabe, ele sabe dos números, dos e-mails, dos torpedos, de tudo.
e sabe do saber...
e finge não saber...
essa é a nossa máscara humana, que, acredito eu,
dá-se por motivos concatenados, às vezes bobos, ora pertinentes.
emito-lhe um som que você conhece:
cááááááááááá!
e um aperto na barriga.
de que outra forma poderia me comunicar?
não revelo o sacro por tolice, mas no intuito de travar uma certa aproximação,
uma intimidade perdida, abandonada.
um dia, quando o sol da meia-noite raiar,
os pássaros cantarem e a chuva estiar um pouco...
daí, aqui ou na floresta,
há de se ver flores, há de se sentir o cheiro.
E não mais- somente- falar delas...
mas, talvez, com elas.
desligo o telefone, desistida de alôs.
tum, tum, tum, tum...
see you!
Um comentário:
Além das suas palavras me arrepiarem (como de costume), você traduziu bem em 'uma intimidade perdida, abandonada."uma sensação que sinto e nunca tinha posto em palavras.....
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