É sempre assim.
Assim.
Espero que algo venha.
E então...
acaba vindo.
outra noite, trepando com o desespero,
me deparei com isto:
tantas memórias me habitam...
tantas ainda vão habitar...
e eu?
quase não me reconheço em meus atos.
um pouco tarde pra crise existencialista-de- consciência,
mas ela vem, inevitavelmente.
penso naquelas palavras todas,
toda a poesia, que presa, se espremeu em meus
ouvidos.
achei que um dia a esperança pousaria em meus olhos,
e ela se quedou por um tempo na minha saia, foi mesmo...
quase pude beijá-la.
penso num novo amor.
quero uma outra coisa.
algo distinto de tudo até agora.
sou mais uma com essa inequívoca vontade.
sem se dar conta, caminhamos todos em coro,
o mesmo coro.
as coisas mudam muito rápido.
e na cronologia tenho apenas uma semana pra decidir...
o que será de uma vida inteira?
era de manhã cedo, quando percebi...
outra noite sonhei com um rapaz...
um novo rapaz.
Um novo.
No fim das contas,
se é que as contas tem mesmo um fim,
pontos e espaços entre os dentes- dizem a verdade.
aquela velha verdade
do mundo
de todo
mundo
do mundo
todo.
E eu, daqui do chuveiro de rosas,
vejo a barata tentando sobreviver,
não se afogar no meu banho - um mar de confusão.
as flores se abriram.
quase não tinha ninguém pra ver.
3 comentários:
há um certo tempo não leio seus poemas ou digo alguma coisa. (Sou um amigo relapso, confesso). Aqui encontro tudo que não é dito, ou é dito nas entrelinhas ou nos espaços e nos pontos entre os dentes. Aqui encontro Paula-a-paula, mesma e outra. Acontece que às vezes desabrocha, é primavera, e eu, outono, não vejo.
Muitos beijos.
Que lindo!
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